A cada edição do Mundial de Clubes uma velha discussão volta à tona: Times sul-americanos são páreo para os europeus?
Trata-se de um debate interessante, mas que na maioria das vezes é visto sob uma ótica quase maniqueísta por torcedores, jornalistas e até por profissionais do futebol brasileiro, algo que torna a discussão pouco inteligente.
Neste ano não deve ser muito diferente. Para alguns, quando time brasileiro ou sul-americano vence significa que o futebol deste lado do oceano é melhor, que a Europa tem muito marketing, etc. Para outros, a derrota europeia se deu por falta de sorte e/ou desinteresse. Por outro lado, quanto a vitória é de um time do Velho Continente, os ufanistas falam em jogo equilibrado enquanto os “pseudos” falam em massacre.
Particularmente, continuo pensando da mesma forma. Mesmo após a Lei Bosman - que permitiu aos clubes europeus, economicamente mais fortes, desequilibrarem a disputa - não se configurou um abismo técnico entre as forças locais e as estrangeiras. E isso não aconteceu porque os times sul-americanos continuaram produzindo bons jogadores que, no futuro, provavelmente estarão do lado oposto dessa disputa. Porém, enquanto permanecem por aqui, conseguem manter um nível de competitividade suficiente para que haja uma disputa minimamente saudável.
Um exemplo que sempre costumo citar é a atuação do então vascaíno Juninho Pernambucano contra o Real Madrid em 1998. Naquele momento, o meia era praticamente um desconhecido no cenário internacional. Entretanto, por aqui, todos sabiam que ele era bom. Naquela equilibrada decisão, os Merengues venceram por 2 a 1, mas Juninho deixou sua marca ao anotar um lindo gol após driblar o lendário Fernando Redondo. Anos depois, fez história ao comandar o Lyon no heptacampeonato nacional do clube francês e mostrou que tinha talento para desempenhar a mesma função em qualquer gigante europeu.
Curiosamente, nesta edição do Mundial o foco mudou um pouco. Como a Internazionale atravessa um péssimo momento sob a batuta de Rafa Benítez, muitos têm apontado o Internacional como o favorito na disputa. Ainda nesse pensamento, consideram que o Pachuca pode aprontar e se tornar o primeiro clube mexicano a conquistar o título. Para reforçar essa tese, lembram que o Colorado também não atua bem desde a conquista da Libertadores. De qualquer modo, qualquer coisa diferente de uma final entre Inter e Inter deverá ser encarada com uma ponta de surpresa.
E para você, quem é o favorito ao título?
AFP
Coadjuvante, o Al Wahda levou a melhor na primeira partida.
Apesar do atraso, o blog “Além das Quatro Linhas” presta sua homenagem ao Fluminense, campeão brasileiro de 2010 com todos os méritos.
Confira abaixo os melhores e mais emocionantes momentos da campanha do tricolor carioca permeados por depoimentos de figuras importantes nessa importante conquista...
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Sempre após as competições, surgem as famosas seleções do campeonato. Normalmente, esses selecionados geram discussões acaloradas, onde um ou mais jogadores invariavelmente são injustiçados. Como bom louco por futebol, costumo escalar mentalmente as mais diversas e estranhas seleções. Da melhor à pior. Aliás, esse é um bom passa-tempo para esperar o sono chegar.
Algumas delas faço questão de divulgar. Talvez rendam um bom debate ou boas risadas...
Seleção Bola de Prata de todos os tempos.
Sempre tive um pé atrás com seleções de campeonato. A maioria prioriza demais as últimas partidas e costuma ignorar jogadores de times ou seleções menos badalados. Mas se existe uma premiação que realmente pode ser levada a sério, esta é a Bola de Prata da revista Placar.
Idealizada em 1970 por Michel Laurence e Manoel Motta, a Bola de Prata premia os melhores jogadores da cada posição e o artilheiro da competição. Considero uma eleição justa porque todas as partidas do Campeonato Brasileiro são assistidas por representantes da revista que atribuem notas aos atletas seguindo critérios rigorosos.
Desde 2007, a revista Placar e a ESPN fizeram uma parceria para a divulgação e entrega da Bola de Prata. Em 2010, a seleção foi a seguinte: Fábio (Cruzeiro); Mariano (Fluminense); Chicão (Corinthians), Alex Silva (São Paulo) e Roberto Carlos (Corinthians); Jucilei (Corinthians), Elias (Corinthians), Conca (Fluminense) e Montillo (Cruzeiro); Neymar (Santos) e Jonas (Grêmio). A Bola de Ouro ficou com o argentino do Flu.
Artur Antunes Coimbra, o Zico, é o maior vencedor do prêmio com duas bolas de ouro, cinco de prata e duas Chuteiras de Ouro (artilheiro). Dentre todos os jogadores que disputaram o campeonato de 1970 (o quarto e último Robertão deu início a tudo) para cá o único que não podia ser votado era Pelé, considerado hors concours.
A seguir a seleção de todos os tempos da Bola de Ouro...
Rogério Ceni: Ouro (1), Prata (6);
Arce: Prata (4);
Figueroa: Ouro (1), Prata (4);
Ricardo Rocha: Ouro (1), Prata (4);
Júnior: Ouro (1), Prata (5);
César Sampaio: Ouro (2), Prata (2);
Toninho Cerezo: Ouro (2), Prata (3);
Falcão: Ouro (2), Prata (3);
Zico: Ouro (2), Prata (5), Chuteira de Ouro (2);
Renato Gaúcho: Ouro (1), Prata (5);
Careca: Ouro (1), Prata (3); Chuteira de Ouro (1).
ESPN
Toninho Cerezo se emociona ao entregar a Bola de Ouro a Conca.