O Campeonato Brasileiro de 2010 chega ao fim neste domingo, mas a sensação deixada no ar definitivamente não é positiva. Nos últimos dias, discutiu-se muito mais a existência de esquemas de favorecimento, partidas entregues, malas brancas do que futebol propriamente.
Ganhe quem ganhar, certamente haverá alguém que dirá que a conquista não foi merecida por causa disso ou daquilo. Tudo impregnado com o ranço do politicamente correto, claro. Mesmo que, na verdade, essas atitudes estejam apenas escondendo paixão clubística, bairrismo, interesses financeiros ou incapacidade de reconhecer os próprios erros.
Para este blogueiro, a maior parte dessas reclamações é hipócrita. Muitas delas não têm exatamente o intuito de atingir o alvo que as palavras aparentam ter. Assim, selecionei algumas reclamações clássicas de dirigentes, técnicos, jogadores, torcedores e jornalistas e “traduzi” o que eles realmente queriam dizer:
Dirigente:“Esse juiz está na gaveta! É um FDP! Nunca mais quero saber da CBF!”
Tradução:“O juiz errou, mas não roubou. Mas não posso admitir isso porque vou ter que explicar a derrota do meu time pra torcida.”
Técnico: “Mesmo sem chances no campeonato, acredito no profissionalismo dos jogadores do (insira aqui o nome de um time rebaixado ou que já não aspira mais nada). Enquanto isso, vamos para o nosso jogo e fazer o nosso melhor.”
Tradução:“Não fizemos nossa parte e agora dependemos de um time que não almeja mais nada. Mas vamos mandar uma grana pra lá e ver se aqueles molambos colaboram com a gente.”
Jogador: “O time estava bem, mas o juiz atrapalhou. Inverteu faltas, não marcou uma cotovelada que o zagueiro me deu e não deu um pênalti pra gente.”
Tradução:“O time não jogou nada, mas é mais fácil culpar o juiz. Troquei empurrões com o zagueiro e xinguei a mãe dele, mas o árbitro não viu nem ouviu. Nosso atacante preferiu se jogar na área em vez de tentar o gol, mas o juiz não caiu naquela encenação tosca.”
Comentarista de um canal que transmite o Brasileirão: “É o campeonato mais difícil do mundo. Em nenhuma outra liga vemos tantos times que entram na competição brigando pelo título. Aqui, o campeão de um ano pode brigar para não cair no outro.”
Tradução: “O campeonato é equilibrado porque nenhum time é forte suficiente para se desgarrar dos outros. Com isso, muitos times medianos estão na disputa. O título do ano passado deu-se por uma soma de coincidências e hoje o campeão luta para não cair porque é um exemplo de desorganização.”
Torcedor de um time que perdeu:“No futebol é tudo esquema. Por isso eu não ligo. É um jogo de cartas marcadas.”
Tradução: “Fiquei puto com meu time ontem. Quase chorei. Mas vou fingir que eu não ligo pra ver se ninguém me zoa muito.”
Executivo de TV/Jornalista que faz o trabalho sujo para a emissora: “A fórmula dos pontos-corridos propicia jogos em que um time não tem mais interesse acaba comprometendo o equilíbrio da competição. No mata-mata isso não existe.”
Tradução: “A fórmula dos pontos corridos é a melhor, mais justa e mantém todos os times em atividade até o final do campeonato, mas queremos finais porque dão mais audiência. Além disso, na fase de classificação também pode haver times que, sem chances, abandonam o campeonato.”
Todo fã de futebol certamente já ouviu os discursos acima. Eles fazem parte de um jogo de interesses que só funciona se permanecer velado. Todavia, alguns torcedores preferem se deixar enganar. Particularmente, não faço parte dessa turma. E você?
*O título deste post é uma homenagem à obra de mesmo nome de autoria de Luis Fernando Veríssimo.
R7
Zezé Perrella: Críticas à CBF seguidas de uma viagem pela entidade.
Apesar da forte concorrência de países como Inglaterra, Espanha/Portugal e Estados Unidos, a FIFA anunciou hoje em Zurique que Rússia e Qatar sediarão as Copas de 2018 e 2022, respectivamente.
Lamentavelmente, pairam sobre as escolhas alguns indícios de compra de votos, retaliação à imprensa britânica e interesses financeiros em sedes que precisarão investir mais do que outras.
Poucos países estavam tão preparados para receber um Mundial quanto a Inglaterra. Os estádios estão praticamente prontos, a torcida é fanática por futebol, as condições de transporte, segurança e hospedagem são boas e o país não sedia há 44 anos o maior evento do esporte que ele mesmo criou.
No entanto, as recentes denúncias feitas pelo programa “Panorama” da BBC, entre outros, praticamente mataram as chances dos britânicos. Segundo essas denúncias, os dirigentes Ricardo Teixeira, Nicolas Leoz e Issa Hayatou receberam cerca de U$ 100 milhões da extinta ISL como propina.
Imediatamente, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, veio a público dizer que levantar um assunto desses no momento que antecedia a escolha das sedes foi uma atitude frustrante e antipatriótica dos meios de comunicação ingleses.
Nada mais equivocado. Se havia a denúncia, os meios de comunicação tinham a obrigação de noticiar. Qualquer coisa diferente disso seria uma forma de colocar os interesses políticos e financeiros dos dirigentes acima dos direitos da população.
Só espero que essa verve investigativa também se manifeste quando o assunto for o capital estrangeiro que os clubes locais recebem. Parece que os olhos também estão se abrindo para essa questão, mas, quando se constata que doze dos vinte clubes da Premier League estão nas mãos de estrangeiros, percebe-se que os olhos devem permanecer bem abertos.
A seguir, confira os vídeos das sedes de 2018 e 2022...
Além do já conhecido passatempo de escalar as mais diversas e estranhas seleções, também gosto de montar minhas listas com os maiores “isso” ou piores “aquilo”. E, para dar início a esta nova série, nada melhor do que começar com uma lista bem especial.
Em “Os 10 melhores que eu vi jogar” aponto os maiores craques que vi em ação de 1992 até hoje. Escolhi esse ano porque ele marca o surgimento do meu fanatismo pelo maior de todos os esportes. Até me lembro de feras como Maradona, Zico e Van Basten atuando, porém, não com a riqueza de detalhes necessária para montar uma lista justa.
Destaco também a ausência de goleiros e defensores no ranking, mas justifico essa escolha pela dificuldade comparativa entre suas imprescindíveis funções em campo com o poder de decisão que os craques em destaquem possuem. Assim, confira abaixo meus dez escolhidos:
10º - Kaká: Além de destaque da UEFA Champions League 2006/7, conduziu um Milan pouco mais que razoável aos títulos continental e mundial. Melhor jogador desse mesmo ano, hoje luta para se recuperar de seguidas lesões para assim reassumir seu posto no Real Madrid e na Seleção Brasileira;
9º - Thierry Henry: Maior artilheiro da história do Arsenal (174 gols em 254 jogos), o francês pode ser considerado um divisor de águas nos Gunners, ajudando o clube londrino a se tornar um verdadeiro gigante europeu;
8º - Rivaldo: Tímido fora de campo, é exatamente o contrário dentro dele. Para muitos, o pernambucano foi o melhor jogador da Copa de 2002 quando formou com Ronaldo e Ronaldinho um ataque espetacular. Foi eleito o melhor do mundo em 1999, ano em que só faltou fazer chover com a camisa do Barcelona;
7º - Roberto Baggio: Muitos brasileiros só se lembram do camisa 10 italiano desperdiçando o pênalti decisivo do Mundial de 1994, mas Baggio foi muito mais do que isso. Dono de um estilo clássico, Il Codino Divino era armador e atacante, arco e flecha, e dos melhores;
6º - Cristiano Ronaldo: Melhor do mundo em 2008, disputa com Messi a condição de melhor jogador da atualidade. Perfeccionista e dono de números absurdos, esse português de 25 anos ainda pode mostrar muito tanto pelo Real Madrid quanto pela seleção lusitana;
5º - Ronaldinho Gaúcho: Ninguém jogou tanto quanto ele entre 2003 e 2006 quando a magia de seus pés fez surgir comparações com Maradona e Pelé. O problema é que tudo acabou ali. Após o Mundial de 2006, Ronaldinho parece ter se entregado à vida boêmia e hoje é um reserva pouco utilizado no Milan;
4º - Lionel Messi: Com apenas 23 anos, Messi já gravou seu nome da história do Barcelona. Atual detentor do título de melhor jogador do mundo, o argentino ainda tem um longo caminho a trilhar. Sorte de quem pode desfrutar de seu futebol;
3º - Romário: Herói do Tetra, o Baixinho só não está mais bem colocado porque treinar nunca foi seu forte. Talvez por confiar demais no dom divino que recebeu, pois nunca houve ninguém como ele dentro da área. Em suas contas, ultrapassou mil gols na carreira;
2º - Zinedine Zidane: Em campo, era a elegância em pessoa. Um verdadeiro maestro que marcou época pela seleção francesa. Com a camisa azul, conquistou a Copa de 1998 e a Euro 2000. Carrasco do Brasil em Copas, foi eleito o melhor do mundo em três ocasiões;
1º - Ronaldo: De 1996 a 1998 foi um verdadeiro Pelé. Um absurdo físico e técnico que só poderia ser apelidado de Fenômeno. Após duas sérias lesões no joelho direito, ressurgiu como uma fênix para conduzir o Brasil ao pentacampeonato em 2002. Assim como o amigo Zidane, detém três títulos de melhor jogador do mundo. É também o maior artilheiro das Copas com 15 gols.
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