Sempre após as competições, surgem as famosas seleções do campeonato. Normalmente, esses selecionados geram discussões acaloradas, onde um ou mais jogadores invariavelmente são injustiçados. Como bom louco por futebol, costumo escalar mentalmente as mais diversas e estranhas seleções. Da melhor à pior. Aliás, esse é um bom passa-tempo para esperar o sono chegar.
Algumas delas faço questão de divulgar. Talvez rendam um bom debate ou boas risadas...
Seleção de equívocos.
O Barcelona anunciou nesta semana que chegou a um acordo com o PSV pelo holandês Afellay. O jogador de 24 anos virá na próxima temporada e, pelo pouco tempo de contrato que lhe restava, saiu por módicos três milhões de euros.
Todavia, agir bem no mercado não tem sido uma característica dos Blaugranas nos últimos anos. Ainda repercutindo o livro “A bola não entra por acaso” (clique aqui e aqui para ler outros posts sobre a obra), é interessante notar como a inegável competência do Barcelona na administração de suas categorias de base é quase inversamente proporcional quando o assunto é a habilidade no mercado de contratações.
Para quem não sabe, a contratação de Ronaldinho em 2003 (ano em que Joan Laporta tomou posse) poderia não ter acontecido. Naquela ocasião, a diretoria tinha como prioridade trazer Henry e/ou Beckham. O francês veio anos depois, mas nunca chegou perto de ser o jogador que foi no Arsenal. Por sua vez, o inglês se juntou aos rivais do Real Madrid onde foi muito mais útil na venda de camisas do que em campo.
Assim, vamos a alguns nomes trazidos a peso de ouro nos últimos anos, mas que não fizeram jus aos investimentos do Barça...
Rustu Reçber: Exemplo do que realizar uma boa Copa pode representar numa carreira, o goleiro Rustu nunca justificou sua contratação e sua passagem pela Catalunha durou apenas uma temporada.
Gianluca Zambrotta: Chegou como campeão do mundo, mas não foi sombra do lateral versátil da Juventus.
Dmytro Chygrynskiy: Contratado por absurdos 25 milhões de euros, o ucraniano pode ser considerado o maior equívoco da história recente dos culés. Contratado em 2009, retornou ao Shakhtar Donetsk apenas um ano depois numa operação que deixou o Barcelona com 10 milhões a menos na conta bancária.
Gabriel Milito: Em forma, não é um zagueiro ruim. O problema é que isso quase nunca acontece. Contratado em 2007, atuou menos de 60 partidas.
Juan Pablo Sorín: Chegou ao Barça vindo da Lazio em 2003, mas só jogou seis meses. Ala do tipo que só apóia, aparecia em todos os lugares do campo... menos na lateral esquerda.
Javier Mascherano: É um bom volante, mas não tem nada a ver com o estilo de jogo dos catalães. Não por acaso, tem ficado mais no banco do que em campo.
Edgar Davids: Encostado na Juve, foi trazido como solução para o meio-campo blaugrana. Outro com passagem de apenas seis meses.
Ricardo Quaresma: Um dos maiores “flops” de todos os tempos. Em 21 partidas, marcou apenas um gol.
Alexander Hleb: Bom jogador, mas nunca teve bola para jogar no Barcelona. Está emprestado ao glorioso Birmingham.
Thierry Henry: Sua qualidade é indiscutível, mas chegou com umas três temporadas de atraso. Atualmente defende o New York Red Bulls.
Zlatan Ibrahimovic: Grande aposta da temporada passada, Ibra foi contratado junto à Inter por 45 milhões de euros mais a cessão de Eto’o. Um ano depois, está emprestado ao Milan com os direitos fixados em 24 milhões de euros!
Técnico, Frank Rijkaard: Ok, alguém vai dizer que o holandês ganhou muitos títulos, mas sua contratação segue estapafúrdia para mim. Até sua chegada em 2003, o ex-jogador tinha como cartão de visitas um período apenas razoável no comando da Holanda e uma passagem obscura pelo Sparta Rotterdam. Pouco, para um Barcelona que se propunha alçar voos mais altos.
Esqueci de alguém? Viu alguma injustiça? Comente!
Quaresma no Barça. Um dos maiores embustes de todos os tempos.
Sábado, 13 de novembro, 21 horas. Padrinho de casamento, este blogueiro não conseguia esconder a ansiedade. Queria saber de qualquer maneira o placar de Atlético Mineiro e Flamengo, partida válida pela 35ª rodada do Brasileirão.
Eis que uma ideia me ocorreu. Despistadamente, saquei o celular do bolso e enviei o seguinte tweet: “Alguém mande uma DM (Direct Message) com o resultado de Fla vs Atl. Grato” Era a única maneira de saber o placar, já que não consigo ver minha Time Line no aparelho, mas recebo essas mensagens como SMS.
Bem, despistadamente uma ova. Minha mulher viu o começou a me beliscar. Disse que alguém poderia ver. Chamamos tanta atenção que o padre acabou olhando de rabo de olho. Imagine o vexame de levar uma chamada do homem de preto bem no meio do casório de um grande amigo?
Felizmente a bronca não veio e, segundos depois, o amigo Vinícius Franco atendeu meu pedido: "38’ do segundo tempo: CAM 4x1 FLA”. Devo ter mudado de cor na hora. Acabara de saber que o meu time não só estava perdendo como estava sendo goleado. Na saída da igreja, cumprimentei os noivos, também flamenguistas, com cara de quem acabara de perder um parente. Mas eu não era o único, já que a notícia tinha se espalhado.
Hoje, Brasil e Argentina duelaram em Doha, Qatar. Como alguém tem que trabalhar neste país, não pude ver o amistoso ao vivo. Tive que recorrer ao Livescore e ao site Trivela para saber o andamento do clássico sul-americano. Pelo “lance a lance” o jogo parecia bem disputado, com o Brasil levemente superior (impressão confirmada no VT).
Mas a Argentina tinha Messi. O único gênio em campo. E aos 46 minutos do segundo, o camisa 10 pegou uma bola perdida pelo displicente Douglas e só foi parar quando a bola já estava no fundo do gol de Victor. 1 a 0 e apito final. Naquele exato momento, me lembrei de outro tweet, recebido ainda no sábado e enviado pelo intrépido Fabio Martelozzo que preferiu me poupar do resultado do Flamengo: “Não queiras saber.” Mensagem curta e direta. Mas que também serviria para esta tarde.
Antes do Derby della Madonnina disputado na noite de ontem, o diário Corriere dello Sport informou que o técnico da Internazionale, Rafael Benítez, tinha 40 dias entre o clássico diante do Milan e a disputa do Mundial de Clubes para conquistar o vestiário e provar para o presidente Massimo Moratti que ele é realmente o nome mais indicado para comandar a atual campeã europeia.
Pois a contagem regressiva começou. E da pior maneira possível, com uma derrota por 1 a 0 para o arquirival. Benítez tinha em sua defesa o fato de ter um departamento médico lotado e jogadores-chave longe de sua melhor forma, mas é difícil encontrar explicações que justifiquem a aposta em Materazzi.
Há tempos o lento zagueiro italiano não atuava desde o começo de uma partida e o posicionamento mais adiantado da defesa – em relação ao que foi organizado por Mourinho – proposto pelo treinador espanhol indicava o perigo que isso poderia representar. E o resultado dessa decisão se refletiu aos quatro minutos do primeiro tempo quando Materazzi cometeu pênalti em Ibrahimovic após o sueco ter sido lançado no costado da zaga. Um lance previsível. Menos para Benítez.
O restante da partida foi marcado basicamente por uma pressão interista que se tornou ainda maior no segundo tempo após a expulsão do lateral rossonero Abate. Porém, era uma pressão estéril. Muito pela competência milanista que viu sua defesa postada de maneira perfeita, mas também pela falta de criatividade interista que resumiu seus ataques a inócuos levantamentos na área e tentativas individuais de Eto’o que se mostraram estéreis diante do jogo coletivo do adversário.
Agora, são seis pontos de diferença para o líder Milan. Uma distância da ponta de tabela que não era vista desde a temporada 2005/2006. E quando se projeta uma trajetória com o pesado Interclubes no caminho, além da infinidade de lesões, fica difícil acreditar em reviravoltas. Neste cenário, os 40 dias impostos a Benítez podem muito bem ser os últimos.
Em boa forma, Córdoba era a melhor opção para o centro da zaga.
Demorou um pouco, mas, um ano depois de seu lançamento, posso dizer que gosto da revista ESPN. Uma das razões para minha resistência inicial talvez esteja no fato da publicação ter surgido como uma espécie de sucessora da ótima revista Trivela, só que com uma grande empresa por trás e outros esportes para dividir as páginas.
Carinhosamente chamada de “ESPN de ler”, a edição nº 13 celebra o primeiro aniversário da revista. E, para comemorar, publica um curioso ranking com os 50 maiores esportistas brasileiros da História. E aí começa a polêmica...
Claro, sempre haverá polêmica numa lista que reúne atletas de diversas modalidades com nomes do passado e do presente. Seu resultado nunca será visto com unanimidade. As contestações são inevitáveis e este blogueiro resolveu citar algumas delas tentando preservar as surpresas da relação.
Bem, a própria capa revela o número um da lista, mas logo no editorial há a explicação de que o Rei Pelé é hors-concours e por isso não está entre os 50. Isto posto, vamos à “cornetagem”:
Ver Cesar Cielo à frente de Zico é meio estranho para mim. Tudo bem, o cara é medalhista olímpico, mas dizer que ele foi melhor do que o Galinho soa como se alguém dissesse que um curta-metragem premiado é melhor que toda a obra de Fellini.
Outra curiosidade está na presença de Nilton Santos e Carlos Alberto Torres à frente de Roberto Carlos. Não foi a própria revista que há dois meses colocou o lateral do Corinthians como o melhor de todos os tempos? Tudo bem que esta lista surgiu após votação de um “conselho de notáveis”, mas não deixa de ser uma passagem divertida.
Por fim, tomei um susto quando vi Rogério Ceni e não vi Taffarel. Ceni é um goleiro artilheiro e um símbolo do São Paulo. Porém, não consigo vê-lo tirando a vaga de um arqueiro que defendeu o Brasil como titular em três Copas, sendo campeão em 1994 e vice quatro anos depois, além de ser o precursor de nossos goleiros na Europa.
Como escrevi acima, nunca haverá consenso quando assunto é listar os melhores. E todos que tiverem a oportunidade de ler farão seus reparos. No entanto, com essa interessante iniciativa, a revista conseguiu fazer duas coisas: Trazer à tona grandes nomes do esporte brasileiro e ainda dar início a um longo e saboroso debate.