Com o fim da primeira fase, chegou o momento de traçar o caminho que o Brasil deverá percorrer caso chegue à final da Copa do Mundo. O empate sem gols diante de Portugal deixou a seleção verde-amarela na primeira colocação do grupo G, numa situação teoricamente mais confortável do que terão os rivais do outro lado do chaveamento.
Outra boa notícia é que o adversário nas oitavas-de-final será o velho conhecido Chile, que por suas características extremamente ofensivas deve deixar a próxima partida à feição do Brasil, concedendo espaços para contragolpes. Caso avance, as quartas-de-final de 1994 podem se repetir em novo encontro com a Holanda, a rival mais difícil deste lado da tabela.
Sobre a configuração da citada tabela, não concordo com a tese construída após a definição dos embates dando conta de um caminho previamente montado para ser desequilibrado. Se França e Inglaterra tivessem confirmado o favoritismo em seus grupos, teríamos um equilíbrio quase perfeito. Não houve nenhum favorecimento.
Obviamente, estamos falando de hipóteses. Nada garante que a caminhada brasileira será mais fácil agora. No entanto, é impossível olhar para tabela abaixo (com meus favoritos em negrito) e não chegar à conclusão de que o roteiro poderia ter sido bem mais complicado.
Três jogos. Dois empates e uma derrota. Quatro gols a favor e cinco contra. Este é o saldo final da Itália, atual campeã, nesta Copa do Mundo. Uma campanha melancólica que culminou com a vexatória última colocação do grupo F, atrás até da Nova Zelândia.
Nunca fui a favor da tese de que camisa ganha jogo. E parecia ser apenas isso o que sustentava essa versão da Azzurra no Mundial. O processo de renovação não foi bem executado tanto por Marcello Lippi quanto pelo antecessor Roberto Donadoni e o que se viu em campo foi apenas reflexo de uma preparação equivocada. Além disso, não é exagero dizer que a atual geração não está à altura do passado da seleção tetracampeã. O futebol italiano não soube se renovar. Aliás, um assunto já abordado neste blog ao final de 2007 (clique aqui para ler o post).
Concordo com Lippi quando ele diz que não deixou nenhum fenômeno em casa. Por mais que Antonio Cassano tenha jogado na última temporada, ele não é Baggio. E um envelhecido Totti e um supervalorizado Balotelli também não seriam de grande valia.
Fico imaginando agora o que vão dizer aqueles que se apoiavam no velho clichê de que a Itália sempre começa mal suas campanhas. Para mim, isso é preguiça de procurar informação. Quem acompanhou a trajetória dessa seleção nos últimos anos sabia que não era para esperar muita coisa.
Claro, eliminação como lanterna de um grupo que tinha Eslováquia e Nova Zelândia era demais até para o torcedor mais pessimista, mas Lippi deu algumas pistas de que isso não era impossível. Seu maior pecado foi nunca ter definido um time titular ou mesmo uma forma de jogar. Sob seu comando, a Azzurra fez uso dos mais diversos sistemas táticos, em sua maioria, equivocados.
A obsessão por um tridente ofensivo que nunca se encaixou também é uma marca desta segunda passagem do treinador. Talvez por não dispor de um trequartista de sua confiança, Lippi insistiu numa formação em que três volantes atuavam de maneira distante dos atacantes. Um hiato que além de ressaltar a fragilidade tática, ainda tornava o time mais pobre tecnicamente.
De todas as críticas que a Itália vem sofrendo, só não concordo com a comparação como o que houve com a França. Os dois finalistas de 2006 deram vexame, mas o que os gauleses fizeram na África do Sul foi algo indigno da profissão que exercem. Os italianos, pelo menos, lutaram até o último minuto. O que faltou mesmo foi futebol.
EFE
Iaquinta e Di Natale lamentam mais um gol perdido.
Aquele lance ou momento que você, por um motivo ou outro, nunca esqueceu.
Como em 94...
A partida de sexta-feira entre Brasil e Portugal pela última rodada da primeira fase tem os mesmos ingredientes do confronto entre Brasil e Suécia, dezesseis anos atrás, no Mundial dos Estados Unidos.
Assim como agora, brasileiros e suecos chegaram à rodada decisiva com chances de terminar em primeiro lugar do grupo, sendo que os canarinhos tinham a vantagem do empate.
Naquele dia, no Pontiac Silverdome da cidade de Detroit, os europeus saíram na frente através do centroavante Kenneth Andersson ainda no primeiro tempo. O Brasil chegou ao empate logo no início da segunda etapa com Romário, num cirúrgico biquinho da entrada da área.
Brasil e Suécia voltariam a se encontrar na semifinal daquela Copa com vitória brasileira por 1 a 0, novamente com um gol do Baixinho. No entanto, pelo formato do atual torneio, um novo duelo contra Portugal só seria possível numa hipotética final.
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Coluna destinada a comentar as opiniões emitidas pelo órgão responsável pela chegada de informações ao público aficionado pelo futebol: a imprensa esportiva. Afinal, bem ou mal, é através dela que tomamos conhecimento de (quase) tudo o que cerca o mundo da bola.
Dunga está errado, mas...
Antes de tudo, é preciso deixar claro que o ocupante de um cargo tão importante como é o de técnico da Seleção Brasileira precisa obrigatoriamente entender e respeitar o fato de que sempre será alvo de críticas. Se estas são justas ou injustas, não importa. Ele precisa estar preparado.
A guerra pessoal de Dunga contra a imprensa brasileira já ultrapassou e muito o limite do tolerável e seria interessante ver a FIFA tomando alguma providência, uma vez que o problema com o jornalista Alex Escobar da Rede Globo aconteceu durante um evento oficial da entidade.
Além disso, me parece uma atitude pouco inteligente – para dizer o mínimo – comprar briga com a emissora de TV mais poderosa do país. Em caso de eliminação, sua carreira de treinador estará quase que encerrada pouco depois de começar. O que sofreu em 1990 seria um afago se comparado ao que pode acontecer agora.
Por outro lado, li pouco e não ouvi nada sobre a parcela de culpa da impressa nessa questão. Sim, ela tem culpa. Provavelmente é menor do que a de Dunga, mas que existe, existe. Basta acompanhar programas esportivos, acessar sites e blogs, ler revistas e jornais sobre esporte para constatar isso.
Além da crítica normal que diz que o time jogou mal por causa disso ou daquilo, que o lado esquerdo da defesa é um problema e que Kaká não tem um bom reserva, existe a crítica maldosa, debochada, desproporcional. É aquela em que o jornalista é muito mais um torcedor travestido do que um profissional.
Essa guerra – que não pode mais ser chamada de fria – começou logo quando da indicação do ex-jogador ao atual posto. Eu mesmo fui contra, achava que ele não tinha experiência para ocupar um cargo tão exigido. Mas nunca consegui entender as referências ao passado de atleta de Dunga. O que tem a ver se ele era limitado (nem acho que era tanto assim) tecnicamente? Mourinho praticamente não jogou e Felipão foi um dos zagueiros mais botinudos da classe C do nosso futebol e nem por isso deixaram de ser grandes treinadores. Do mesmo modo, a categoria de Falcão não fez dele um treinador acima de medíocre. Para mim, referências às supostas limitações do jogador Dunga não passam de uma forma de tentar atingi-lo.
Trata-se de uma relação bola de neve. Como Dunga é um sujeito extremamente rancoroso, guarda tudo e traz à tona dias, meses ou anos depois. Ele está erradíssimo, claro. Mas torço muito para ver pelo menos parte da imprensa assumindo sua parcela de culpa e procurando uma forma de manter um convívio mais respeitoso. Passar a analisar o futebol de maneira menos passional é um bom começo.
Atualização (22/06):Segundo o jornalista Mauricio Stycer, do UOL, que está na África do Sul para a cobertura da Copa do Mundo 2010, Dunga teria vetado uma entrevista exclusiva previamente acordada entre executivos da Rede Globo e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.
Minutos depois, durante a entrevista coletiva do treinador, Alex Escobar estaria conversando ao celular com seu colega de trabalho Tadeu Schmidt para explicar a negativa quando foi interrompido por Dunga.
Essa informação não redime o comandante da Seleção da grosseria ao microfone. No entanto, escancara a atitude da emissora que, no vídeo abaixo, finge que o entrevero surgiu do nada. Isso sem falar na manobra de bastidores que sugere um pedido de privilégio. Essa é a Globo...
A essa altura, não devem restar mais dúvidas de que o mais importante na disputa de um grupo chamado da morte é sobreviver. E isso a Seleção Brasileira conseguiu com relativa facilidade, mesmo sem praticar um grande futebol.
Confirmando a tendência deste Mundial e do próprio histórico da Seleção sob o comando de Dunga, o objetivo é tentar controlar o jogo, sofrendo a menor pressão possível e vencendo por quantos gols forem necessários. Nada mais.
Nesse pensamento, não me surpreendem alguns elogios que ouvi sobre a atuação de Kaká na vitória por 3 a 1 sobre a Costa do Marfim. Para muitos, pouco importa se o meia perdeu quase todas as divididas, errou passes fáceis e foi expulso tolamente. Deu duas assistências, é o que importa.
Para o duelo contra Portugal, Dunga terá a chance de justificar a convocação de Júlio Baptista dando oportunidade para o meia-atacante substituir o suspenso Kaká. Se optar pelo recuo de Robinho e a entrada de Nilmar, estará dizendo para o mundo que o jogador da Roma, assim como Kléberson, foi à África do Sul a passeio.
Uma vez que a chance do Brasil terminar como o primeiro da chave aumentou bastante, crescem as possibilidades de um cruzamento com a poderosa Espanha. Seria um confronto de estilos que, com certeza, seria anunciado como uma final antecipada, embora não seja.
Mas esse é assunto para um futuro post. Neste momento, tentar montar as possíveis combinações desta Copa é tarefa das mais difíceis. Felizmente, não por falta de emoção.
Getty
Autor de dois gols (um deles com ajuda do braço), Fabuloso foi o destaque.