Futebol também tem seus momentos filosóficos. Após a vitória por 1 a 0 do Barcelona sobre a Internazionale pela semifinal da UEFA Champions League e a consequente eliminação dos catalães do torneio, um verdadeiro debate se iniciou pelos sites, blogs, jornais e programas de TV: a estratégia ultradefensiva adotada por José Mourinho no Camp Nou foi legítima?
Antes de tudo, faz-se necessário contextualizar o confronto. A princípio, a intenção do treinador português era escalar seu time com o tridente ofensivo formado por Eto’o, Pandev e Milito municiado pelo meia Sneijder. A estratégia então era recuar, fechar os espaços e buscar os contragolpes.
No entanto, dúvida para a partida, Pandev foi vetado após um teste no vestiário interista. Sem o macedônio, Mourinho tinha como opções os atacantes Balotelli e Arnautovic ou a entrada do romeno Chivu, uma escolha mais conservadora. Quem acompanhou as últimas semanas dos Nerazzurri sabia que apostar no desgastado Balotelli naquele momento era, no mínimo, uma temeridade. Por sua vez, o austríaco Arnautovic não havia sido suficientemente testado para aquela situação. Restava o abnegado Chivu, que acabou compondo o lado esquerdo do meio-campo.
Início de partida, o cenário estava montado: Com a vantagem de 3 a 1 construída no Meazza, os comandados de Mourinho iriam se fechar e contra-atacar. Tudo corria como planejado pelos visitantes até que o volante Thiago Motta recebeu o segundo cartão amarelo após atingir com a mão espalmada o rosto do rival Busquets que valorizou bastante o contato se contorcendo no chão.
Com um homem a menos, diante do melhor time do mundo, atuando fora da casa, mas ainda com a vantagem no placar, a alternativa mais racional era se fechar ainda mais. Como se diz na Europa, a Inter estacionou seu ônibus em frente à meta de Júlio César e defendeu cada metro do gramado como se fosse a última coisa que os jogadores fariam na vida.
Deu certo. Foi tenso, foi no sufoco, o Barça chegou a marcar com o zagueiro Piqué, mas, no fim, a classificação ficou com a esquadra italiana. A partir dali, o assunto poderia ser apenas a expectativa para a final diante do Bayern, porém, outro embate se iniciou após o apito final: O método absurdamente defensivo utilizado pela Inter é moralmente aceitável no futebol? Em outras palavras, os fins justificam os meios?
Essa é uma discussão recorrente nos debates esportivos no Brasil. Ainda mais quando se trata da Seleção. Me lembro que o ex-técnico Carlos Alberto Parreira sempre vinha com um discurso pronto quando o Brasil empatava ou vencia por um placar magro a um rival menos qualificado. Para o atual treinador da África do Sul, os resultados ruins aconteciam porque o adversário atuava com duas linhas de quatro e os onze atrás da linha da bola.
Como a crítica à Seleção nunca é generosa no Brasil, os argumentos de Parreira – e agora de Dunga – sempre foram tratados como desculpas esfarrapadas. Para os analistas, o maior selecionado do mundo não pode esperar uma postura franca de seus oponentes e que faz parte das obrigações do time mais forte romper a defesa inimiga seja qual for sua postura. Apesar de severa, concordo com essa tese. Cada treinador tem o direito de armar sua equipe como quiser e cabe ao seu equivalente fazer o possível do outro lado para levar seu time à vitória.
Um ótimo exemplo é a Grécia, campeã europeia em 2004. Muito se contestou a maneira como o alemão Otto Rehhagel armou o esquema vitorioso dos helenos no torneio. Extremamente defensiva e explorando bastante as jogadas de bola parada, a Grécia chegou ao título batendo o anfitrião Portugal na final. Não era possível chamar aquilo de um belo futebol, mas alcançou seu objetivo.
Havia outra forma dos gregos conquistarem aquele título se não atuassem daquela maneira? Não acredito. Caso Rehhagel optasse por uma formação mais ofensiva e com bola no chão, provavelmente seu time seria abatido logo na primeira fase. Não por acaso, uma postura mais aberta logo na estreia da Copa das Confederações de 2005 fez com que levasse de três do Brasil.
E assim fez Mourinho. Correndo o risco de ver a bola com o Barcelona quase o tempo todo, apostou alto e ganhou. Sua Inter fechou os espaços e se defendeu de maneira honrosa, inclusive cometendo menos faltas que os rivais. Os catalães poderiam ter vencido, mas pecaram em aspectos importantes como arremates de fora da área e jogadas de maior profundidade.
O Barcelona é mais time? Sem dúvida. Mas, como escrevi acima, faz parte das obrigações de um grande time ultrapassar as barreiras que lhe são impostas. Neste caso, o Barça esbarrou numa muralha humana que, por sua vez, também passou por uma grande provação, mas sobreviveu.
Blog Preleção.
Na ilustração acima, os riscos que a Inter correu ao abdicar do jogo.
Há 45 anos, a Internazionale sagrou-se campeã europeia pela segunda e última vez. Na ocasião, a equipe que contava com os grandes Giacinto Facchetti, Jair da Costa, Luis Suárez, Sandro Mazzola e era comandada pelo técnico argentino Helenio Herrera fazia uso – sem nenhuma cerimônia – da tática conhecida como Catenaccio ou ferrolho, como foi batizada por aqui.
A tática, bastante defensiva como o nome sugere, consiste na máxima ocupação de espaços na defesa, seguido de contragolpes construídos justamente nos espaços deixados pelos adversários.
Ontem, enfrentando o Barcelona no Camp Nou e com um homem a menos desde os 28 minutos do primeiro tempo graças à expulsão de Thiago Motta, a Inter não viu alternativas a não ser se fechar, especulando esporádicas fugas de Milito e Eto’o pelos flancos.
Deu certo. O time perdeu por apenas 1 a 0, placar que somado aos 3 a 1 da partida de ida garantiu aos Nerazzurri a quinta presença em finais continentais. Uma conquista parcial que embala o sonho do presidente Massimo Moratti de repetir o feito de seu pai, Angelo, mandatário do clube no bicampeonato europeu. No caminho para o Santiago Bernabéu, palco da decisão contra o Bayern, uma certeza: Moratti filho encontrou o seu Herrera, que também atende pelo nome de José Mourinho. Resta saber se o desfecho desse sonho será o mesmo...
Mourinho comemora: Inter finalista da Champions League.
Além das partidas incríveis e do desfile de craques, a UEFA Champions League reserva um charme a mais: Durante os intervalos, a cervejaria holandesa Heineken, patrocinadora oficial da competição, exibe seus filmes publicitários recheados de criatividade e bom humor.
Na atual campanha, atores interpretam torcedores fanáticos que, a princípio, confundem o telespectador passando a ideia de que se trata de um time. A presença de um grupo multirracial reforça a mensagem. Um show de criatividade...
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Pelé, ao saber que sua contusão o tiraria de pelo menos três jogos da Copa, a seu substituto Amarildo.
"Nem sempre vencem os melhores, principalmente nesta Copa do Mundo."
Karl Rappan, técnico suíço, após a eliminação de seu selecionado.
"Não constituiu surpresa a notável performance dos avantes brasileiros, e o mesmo digo com relação à capacidade da defesa, que jogou esplendidamente."
Walter Winterbottom, técnico inglês, após derrota para a Seleção Brasileira.
"A Inglaterra sucumbiu, mas de cabeça erguida. Um quadro valoroso que foi eliminado pelo Brasil, campeão do mundo, composto de 11 diamantes - o maior conjunto da Terra."
Joe Richards, então o presidente da Liga Inglesa de Futebol.
"Estamos prontos para dar uma surpresa, porque todos acreditam que o Brasil é favorito absoluto. Confio em minha equipe. Ela se encontra em condições físicas, técnicas e espirituais bem melhores do que no primeiro jogo contra os brasileiros."
Rudolf Vytlacil, técnico da Tchecoslováquia, dois dias antes de sua equipe perder por 3 a 1 para o Brasil na final da Copa.
"Garrincha é incomparável. Vavá é também um fenômeno, como Zagallo, como Didi, como Amarildo. Para nós, o essencial é conseguir um bom resultado, expondo o valor de nosso futebol."
Svatopluk Pluskal, meia tcheco, no dia da decisão.