Contagem Regressiva: Abril de 2010 Para um fanático por futebol, uma Copa do Mundo é muito mais do que um evento esportivo. É um período para se tirar férias do trabalho e só sair de casa para tratar de assuntos estritamente necessários. São semanas mágicas, onde um jogador consegue deixar o mundo mortal para fazer parte do panteão dos Deuses da Bola e, de quebra, transformar um país inteiro numa grande festa. É uma época para se rir, chorar, se emocionar. Enfim, é um momento que será guardado para sempre em nossos corações... Ronaldinho não é Romário de 93. No Brasil, “cornetar” é uma arte. Formamos uma nação composta por milhões de treinadores em potencial onde a imensa maioria entende mais do que qualquer profissional que dedicou sua vida ao esporte. Ironias à parte, sigo sem entender o porquê do enorme clamor popular pela presença de Ronaldinho Gaúcho na Seleção. Claro, reconheço que se trata de um craque dono de um talento invulgar e até raro neste atual Brasil. Mas seu melhor momento aconteceu há quatro anos. Pior. Mesmo quando ostentava o cetro de melhor do mundo, Ronaldinho nunca assumiu o protagonismo do escrete canarinho, preferindo ficar à sombra de Ronaldo, Rivaldo e, posteriormente, de Kaká. Deste modo, nada além da eterna vocação para a “cornetagem” explica os pedidos tão fervorosos pelo meia-atacante do Milan. Parece até os pedidos por Romário a Parreira em 1993. Com a diferença que naquela ocasião o Baixinho era melhor do mundo, destruía no Barcelona, enquanto o Brasil ainda capengava nas Eliminatórias. Repito. Ronaldinho é um nome interessante, mas, hoje, não justifica uma campanha pelo seu futebol. Outro ponto duvidoso é o fato de não exercer bem a função de quarto homem de meio-campo – no caso, a reserva de Kaká – rendendo mais quando atua pela esquerda, onde já estão Robinho e Nilmar, além de não participar da marcação no setor. Ganso e Neymar. Outra campanha no momento envolve os dois prodígios santistas. Ao contrário de Ronaldinho, a dupla representa o novo, o inesperado. Muitos comparam a possível oportunidade com a ida de Ronaldo ao Mundial dos Estados Unidos. Bem, para quem não se lembra, o técnico Parreira convocou o Fenômeno com apenas 17 anos para compor os 22 que buscariam o tetra. Na ocasião, o então cruzeirense barbarizava com a camisa celeste, mas, quando se deparou com o ambiente da Seleção, acabou se deslumbrando por estar próximo ao ídolo Romário. Em outras palavras, apostar numa jovem revelação é algo bastante válido e elogiável, porém, desde que se tenha a convicção de que em caso de necessidade esse jogador possa entrar na equipe e atuar como qualquer outro faria. As lesões de Kaká. Muitos se preocupam com a crônica pubalgia de Kaká e com sua atual lesão na coxa. Problemas que tem afastado o craque tanto do seu melhor futebol como do time titular do Real Madrid. Figura central do meio-campo brasileiro e sem um reserva confiável, Kaká se tornou uma interrogação também para a Seleção Brasileira. Particularmente, quando vejo os problemas do meia, me lembro do que Ronaldo e Rivaldo passaram na temporada 2001/2. Também às voltas com lesões e indispostos com seus treinadores da época, foi justamente graças ao menor desgaste que tiveram ao longo do certame que a dupla pôde voar em gramados asiáticos em 2002. Luís Fabiano é o outro que pode se beneficiar por ter se ausentado dos jogos do Sevilla por algum tempo. AFP
Às voltas com lesões, Kaká preocupa o Brasil. 11 de maio. É quando o técnico Dunga anunciará os 23 nomes convocados para a disputa da Copa. O anúncio acontecerá no hotel Windsor no Rio de Janeiro. Dez dias depois, os jogadores iniciarão sua preparação em Curitiba, onde os jogadores permanecerão até o dia 26, data da viagem para Johanesburgo, África do Sul. Os Rivais: Surge mais um favorito? Nenhum nome do esporte tem sido tão falado quanto o de Lionel Messi. Atravessando um momento incrível, o gênio do Barcelona fez a cotação da Argentina no Mundial subir junto com ele. Outra boa notícia para a albiceleste foi o bom futebol apresentado na vitória por 1 a 0 no último amistoso contra a Alemanha. Na ocasião, Maradona (ouvindo conselhos de Bilardo?) montou sua seleção em duas linhas de quatro com Messi e Higuaín à frente. A boa apresentação serviu para reascender as esperanças de um time que havia se arrastado durante as Eliminatórias. Um sopro que se torna mais forte quando o próprio Maradona relembra o cenário pré-Copa em 1986: “Naquele ano, a Argentina era sétima, oitava força daquela Copa e eu era o sétimo ou oitavo na preferência para destaque. Platini, Zico e outros estavam na minha frente.” Ao contrário de El Pibe, Messi não tem ninguém à sua frente. Talvez Wayne Rooney, pelo momento que atravessa, esteja em nível próximo. Todavia, resta ao craque apresentar na sua seleção o mesmo futebol que o consagrou no Barça.
Escrito por Michel Costa às 20h56
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A4L recomenda... ...Como o futebol explica o mundo. Quando eu soube que o autor da obra era um jornalista estadunidense, fiquei ao mesmo tempo curioso e desconfiado. Curioso para conhecer a visão de um norte-americano sobre o esporte mais praticado no mundo e desconfiado por - de maneira preconceituosa, admito - imaginar como alguém nascido no país mais auto-suficiente do mundo poderia contemplar todas as nuances de um jogo tão popular quanto imprevisível. Felizmente, o livro expressa justamente o contrário. Em 224 páginas, Franklin Foer discorre de maneira ímpar sobre o futebol e suas implicações políticas, sociais, culturais e até mesmo religiosas. Assim, nada melhor do que a visão “externa”, curiosa e apaixonada do autor. Dentre os dez capítulos da obra, destaco três em especial. Em “O paraíso dos gângsteres”, o jornalista discorre sobre a corrupção e violência que marcaram a dissolução da antiga Iugoslávia, mostrando como muitos dos acontecimentos da época tiveram ligação direta com o esporte. Em “O hooligan sentimental”, o personagem central é Alan Garrison, polêmico e destrutivo arruaceiro inglês, torcedor do Chelsea, e considerado por muitos como o precursor do hooliganismo. Por fim, no oitavo capítulo, “O discreto charme do nacionalismo burguês”, Foer conta como se tornou torcedor do Barcelona e aproveita para esclarecer que os catalães – sobretudo os comerciantes e barcelonistas – não sofreram tanto com o franquismo quanto se imagina. Como o futebol explica o mundo é uma obra rara, instigante, que nos faz pensar na importância do futebol dentro da sociedade moderna e o quanto o fenômeno da globalização o transformou num imenso negócio. Sem dúvida, uma leitura imperdível para qualquer fã do velho esporte bretão.
Ao mesmo tempo, um olhar crítico e lúdico sobre o mundo da bola.
Escrito por Michel Costa às 21h07
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Estranhas Seleções. Sempre após as competições, surgem as famosas seleções do campeonato. Esses selecionados geram discussões acaloradas, onde um ou mais jogadores invariavelmente são injustiçados. Como bom louco por futebol, costumo escalar mentalmente as mais diversas e estranhas seleções. Da melhor à pior. Aliás, esse é um bom passa-tempo para esperar o sono chegar. Algumas delas faço questão de divulgar. Talvez rendam um bom debate ou boas risadas... Brasil 2014 O assunto do momento – além de Messi – é a Copa do Mundo que se realizará na África do Sul. No caso específico do Brasil, as polêmicas giram em torno da não convocação de Ronaldinho e do clamor pelas revelações Paulo Henrique Ganso e Neymar. Momentaneamente alheio a esse debate, resolvi montar o time titular do Brasil que disputará o Mundial que será realizado em nosso território em 2014. No onze inicial, apesar de me pautar na lógica, faço algumas apostas particulares que podem até provocar alguma polêmica. Entre parênteses, a idade que os jogadores terão em junho de 2014... Júlio César (34) – Mesmo veterano, Júlio César possivelmente manterá seu posto de número um da Seleção. Victor (31) e Diego Alves (28) também são garantia de qualidade na meta. Daniel Alves (31) – Maicon (32) é o dono da lateral direita hoje, mas o fato necessitar muito de seu preparo físico deve fazer com que perca a titularidade para Daniel, mais técnico e talentoso. Thiago Silva (29) – Titulares absolutos neste momento, Lúcio e Juan devem ceder seus lugares daqui a quatro anos. A primeira vaga deverá ser de Thiago, um dos mais promissores zagueiros da atualidade. David Luiz (27) – Ainda pouco conhecido no Brasil, o zagueiro do Benfica tem potencial suficiente para se integrar à Seleção no futuro. Versátil, pode atuar também na lateral esquerda. Marcelo (26) – Especula-se que a camisa 6 verde-amarela só não pertence a ele hoje porque teria se deslumbrado com o ambiente da Seleção. Mais maduro, tem tudo para agarrar a vaga. Aírton (24) – Trata-se de uma aposta pessoal. Bom marcador, o volante do Benfica é um dos poucos jovens da posição capaz de cumprir com eficiência a função de primeiro volante, terceiro zagueiro e ainda realizar bons lançamentos. Lucas (27) – Depois de um longo período de adaptação ao futebol inglês, vem se firmando no cenário europeu. Briga com Hernanes (29) pelo posto de segundo volante, mas sai na frente por marcar melhor. Ramires (28) – Aos vinte e oito anos, provavelmente estará no auge de sua forma física e técnica. Polivalente, também pode aparecer como volante. Kaká (32) – Já será um veterano em 2014, mas pode ser a liderança técnica do grupo. Se as pernas não ajudarem, Paulo Henrique Ganso (24) e Diego (29) podem herdar a camisa 10. Alexandre Pato (24) – O ataque deverá ser o grande trunfo desse Brasil. Mais experiente, mas ainda jovem, Pato tem tudo para se consolidar como a estrela da companhia. Neymar (22) – O público brasileiro cobrará espetáculo daqui a quatro anos e este estará por conta de Neymar. Jogador mais completo que Robinho (30), tem tudo para assumir a titularidade e encantar. Técnico: Leonardo (44) – Dunga já disse que, perdendo ou ganhando na África do Sul, deixa o cargo de comandante do Brasil após o Mundial. Nas últimas semanas, o nome de Leonardo surgiu na mídia como possível sucessor. Considerando o momento duvidoso dos atuais treinadores brasileiros e a experiência do ex-lateral na Seleção, fica a aposta. Esqueci de alguém? Viu alguma injustiça? Comente! Globo.com
Hoje preterido, Pato deverá ser a maior estrela do Brasil em 2014
Escrito por Michel Costa às 19h34
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Vozes da Copa. 1934 – A influência do Fascismo. "Ides para um país que se renova moral e materialmente. O italiano, que se sentia deprimido antes do advento do fascismo, sente-se agora orgulhoso de sua própria raça. É esse o exemplo que deve guiar os esportistas brasileiros." Getúlio Vargas, presidente da República, à delegação brasileira. "A força que a CBD apresentará no certame mundial em Roma, força aliciada, não inspira confiança ao bom brasileiro, porque é mercenária, fictícia, força aparente, mas fraqueza autêntica, dissimulada, que tem de periclitar, porque os propósitos e as finalidades não são positivamente patrióticos." Paulo Várzea, em artigo da Folha da Manhã publicado em 5 de maio de 1934. "A partida mais difícil de todas foi contra a Espanha. O time que os espanhóis enviaram para a Copa era formidável: técnico, aguerrido, com velocidade latina e ardor ibérico. Precisamos passar por 210 minutos de jogo para vencer. Nenhum outro time nos exigiu tanto. Com tal valor se comportaram os espanhóis naquelas duas partidas em Florença, que foram necessários homens de têmpera especial para batê-los, homens fortes e confiantes como só o fascismo pode criar." Vittorio Pozzo, técnico campeão pela seleção italiana. "Como teria sido terrível, horrível perder, e como é belo o futebol quando se ganha!" Vittorio Pozzo, poucas horas após a conquista do título mundial.
Escrito por Michel Costa às 09h47
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