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Além das Quatro Linhas! - Um jeito diferente de ver e debater futebol.
 


Recordar, entender e respeitar.

Nas últimas semanas, a ESPN Brasil tem presenteado seus assinantes com os maiores clássicos das Copas do Mundo nas vozes dos atuais profissionais da casa. Sem dúvida, uma iniciativa elogiável que, além de mostrar aos mais jovens o que aconteceu na época, também serve para desmistificar algumas teorias que se perpetuaram através do tempo mesmo sem ser verdade.

A primeira e mais importante, é a velha história de que o futebol do passado era muito melhor e que hoje o jogo perdeu sua graça porque o preparo físico venceu a técnica. Não é verdade. Já vi muitos trechos e muitas partidas completas que não mostram nada disso. Esses jogos não foram disputados com a mais pura técnica dos semideuses da bola, como poderia pensar alguém. Além das grandes jogadas e dos gols antológicos, também havia os lances bizarros, as pixotadas e tudo aquilo que muitos fazem questão de esquecer.

Isso acontece porque nas poucas imagens exibidas nos telejornais, compactos, especiais e nos relatos dos mais velhos, permanece apenas o que é bonito de ser ver e contar. Esse é o chamado filtro do tempo que tantas vezes citei aqui.

Um aspecto importante de rever tais partidas é desmistificar times que foram bons sim, mas que não revolucionaram o futebol como se costuma dizer. O melhor exemplo é a Holanda de 1974. Não havia na chamada Laranja Mecânica a tal rotatividade de posições incessante entre os jogadores e nem se tratava de uma equipe composta por apenas atletas de grande técnica. Aliás, como bem comentou o jornalista Paulo Calçade, havia até mais troca de posições na campeã Alemanha do que nos vice-campeões.

Outra inverdade que se perpetuou a partir daquele ano foi dizer que os holandeses tinham muito mais time que os germânicos e que título escapou por azar. Nada disso. O grupo comandado pelo Kaiser Franz Beckenbauer que contava com feras do calibre de Sepp Maier, Paul Breitner e Gerd Müller era tão qualificado quanto seus rivais e atuou melhor durante boa parte daquela decisão.

Por outro lado, também é necessário ressaltar que se a marcação não era tão implacável quanto hoje, pelo menos era dura ou, por que não dizer, violenta. A partida entre a Seleção Brasileira e a mesma Holanda é marcada pelas jogadas duras de parte a parte. Outro exemplo de como futebol também podia se transformar em pancadaria é a chamada Batalha de Rosário, quando Brasil e Argentina empataram sem gols quatro anos depois.

Quem também elogiou a iniciativa da ESPN foi o ex-jogador e agora colunista Tostão. Para ele, a ideia de mostrar as partidas é boa, mas faz alguns alertas: “Não se pode ver o futebol com um olhar saudosista e romântico, de que tudo era melhor e mais bonito, nem com um olhar tecnológico, pragmático e preconceituoso, de que tudo de outras épocas está ultrapassado. Não se pode tirar conclusões de uma época por um ou poucos jogos e/ou por um campeonato.”

Só discordo, em parte, da última frase do craque. Não acho possível medir toda a carreira dos jogadores envolvidos apenas nas partidas que vi, porém, é bastante nítido que o futebol que os saudosistas tanto exaltam não era exatamente a maravilha que dizem.

Neste momento, me recordo de uma pergunta feita por um amigo e respondida pelo próprio em seguida: “Sabe por que Messi nunca será um dos melhores da história? Porque ele não jogou em 1970, porque ele não jogou no futebol romântico.” Concordo com ele. Já passou da hora de valorizarmos nossos craques atuais e perceber que eles são tão capazes quanto os de ontem. Está na hora de percebermos que valorizar uma época não implica em desvalorizar outra.

 

Cruyff e Beckenbauer se cumprimentam antes da final de 74.



Escrito por Michel Costa às 17h31
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Question

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No último desafio do Question, descubra o nome do jogador descrito na(s) afirmativa(s) abaixo.

I – Lateral completo, alcançou grande sucesso em clubes e em sua seleção.

II – Em sua carreira, defendeu times de três países diferentes.

III – Após pendurar as chuteiras, iniciou a carreira de técnico, mas hoje ocupa o cargo de auxiliar.

IV – Há algum tempo, causou polêmica ao sugerir que seu clube formador trocasse de mascote.

Resposta: O ex-jogador em destaque é Jorge de Amorim Campos, o Jorginho. Lateral direito formado pelo América/RJ, começou a jogar profissionalmente pelo Flamengo em 1984. Em sua vitoriosa carreira, defendeu também Bayer Leverkusen, Bayern de Munique, Kashima Antlers, São Paulo, Vasco e Fluminense. Pela Seleção Brasileira, realizou 68 partidas e participou da conquista do tetracampeonato mundial em 1994.

Após encerrar a carreira, ganhou sua primeira oportunidade como treinador no mesmo América, onde chegou a comandar o time em fases finais do campeonato carioca. Nessa ocasião, causou polêmica ao sugerir que o fato do clube ter como mascote um diabinho fosse a razão para os insucessos das últimas décadas. Fico pensando o que os torcedores de Milan e Manchester United, que também tem um diabo como símbolo, pensam desta questão.       

 

Atualmente, Jorginho ocupa o cargo de auxiliar técnico de Dunga

Classificação: Parabéns ao grande Rodolfo Moura que não apenas acertou o último desafio como levou o prêmio (veja abaixo) para o vencedor desta série ao somar 51 pontos, três a mais que o segundo colocado Yuri.

Aviso aos amigos que o Question retornará após a Copa do Mundo, em novo formato e com novos desafios. Conto com vocês.

Lembrando que o primeiro acertador leva 2 pontos e os outros acertadores recebem 1 ponto, a classificação até o momento é a seguinte:

1º) Rodolfo Moura – 51 pontos.

2º) Yuri – 48 pontos.

3º) JP – 45 pontos.

4º) Cyntia – 37 pontos.

5°) Guilherme Siqueira – 28 pontos.

6º) André Chasee – 25 pontos.

7º) Prisma – 16 pontos.

8º) Leonardo – 12 pontos.

9º) Fernando – 11 pontos.

10º) Darley e Victorino Netto – 10 pontos.

11º) Ângelo e Uendel – 9 pontos.

12º) Fernando Clemente – 8 pontos.

13º) Everaldo Fitzpatrick – 6 pontos.

14º) Johnny e Repolho – 5 pontos.

15º) Bruno e Hellerson – 3 pontos.

16º) Fabio Martelozzo e Riccardo Joss – 2 pontos.

17º) Douglas Cunha, Felipe e  Lucimar – 1 ponto.

 

Campeão desta edição, Rodolfo receberá esta obra de Mauro Beting.



Escrito por Michel Costa às 15h30
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A praga das lesões.

Não tem jeito. Daqui até a Copa, toda vez que um jogador de destaque desmoronar no gramado, rugas de preocupação vão surgir nos rostos dos torcedores. Naturalmente, os eventuais desfalques durante a reta final das principais competições do mundo preocupam ainda mais quando nos referimos às torcidas dos clubes dos atletas lesionados.

Nesta semana, as partidas de ida das oitavas de final da UEFA Champions League reservaram aos fãs do Manchester United e do Arsenal verdadeiros calafrios. Na terça, após se chocar com um jogador do Bayern de Munique, Wayne Rooney deixou o Allianz Arena sem conseguir apoiar o pé direito no chão. Notícias dão conta de o atacante pode ficar até um mês fora do time, sendo desfalque certo tanto no importante duelo contra o Chelsea pela Premier League no próximo sábado, quanto para a partida de volta contra o Bayern em Old Trafford.

No Arsenal, a situação é ainda mais preocupante. Gallas, Arshavin e Fábregas se lesionaram e também são ausências nos próximos compromissos dos Gunners. Para o técnico Arsène Wenger, seu compatriota Gallas deve perder o restante da temporada por conta de uma distensão na panturrilha. Horas depois, o russo Arshavin anunciou em seu site pessoal que deve ficar fora do time nas próximas semanas também por conta de uma lesão na panturrilha. Por sua vez, Fábregas ainda aguarda melhor avaliação de sua condição, mas declarou após o empate contra o Barcelona que teme ter quebrado a perna.

Infelizmente, enquanto a temporada ruma para seu desfecho, os corpos dos atletas também demonstram o desgaste típico do esgotamento. Daqui até o Mundial, não serão poucas as notícias de jogadores que desfalcarão suas seleções. Para quem sempre torce para ver os melhores em ação, ainda mais quando se trata da maior das competições, resta apenas rezar e torcer para os deuses da bola estarem de bom humor.

Marca

 

Confirmado: Com fratura na fíbula, Fábregas perderá o restante da temporada. 



Escrito por Michel Costa às 21h05
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Ao mestre com carinho.

A crônica esportiva brasileira perdeu hoje seu maior craque. Armando Nogueira, 83 anos, muitos deles dedicados ao esporte, faleceu na madrugada desta segunda-feira vítima de câncer no cérebro. O jornalista morreu em sua casa, na Lagoa, Rio de Janeiro, cidade que também abriga o Maracanã, estádio que tantas vezes serviu de palco para os deuses da bola que tanto admirava.

Botafoguense de coração, Armando fazia parte de um segmento em extinção. Seus textos, impecáveis, pouco observavam aspectos técnicos e táticos de uma partida de futebol. Seus olhos eram incapazes de enxergar a burocracia das disputas, preferiam contemplar a poesia contida em cada drible, em cada finta, em cada gesto.  

Neste dia, presto uma singela homenagem a esse mestre da literatura esportiva brasileira publicando uma de suas mais belas crônicas, retirada do site globoesporte.com, que relata - como só ele era capaz - os momentos que se seguiram após a conquista do tricampeonato mundial do Brasil:

E as palavras, eu que vivo delas, onde estão? Onde estão as palavras para contar a vocês e a mim mesmo que Tostão está morrendo asfixiado nos braços da multidão em transe? Parece um linchamento: Tostão deitado na grama, cem mãos a saqueá-lo. Levam-lhe a camisa levam-lhe os calções. Sei que é total a alucinação nos quatro cantos do estádio, mas só tenho olhos para a cena insólita: há muito que arrancaram as chuteiras de Tostão. Só falta, agora, alguém tomar-lhe a sunga azul, derradeira peça sobre o corpo de um semideus.

Mas, felizmente, a cautela e o sangue-frio vencem sempre: venceram, com o Brasil, o Mundial de 70, e venceram, também, na hora em que o desvario pretendia deixar Tostão completamente nu aos olhos de cem mil espectadores e de setecentos milhões de telespectadores do mundo inteiro.

E lá se vai Tostão, correndo pelo campo afora, coberto de glórias, coberto de lágrimas, atropelado por uma pequena multidão. Essa gente, que está ali por amor, vai acabar sufocando Tostão. Se a polícia não entra em campo para protegê-lo, coitado dele. Coitado, também, de Pelé, pendurado em mil pescoços e com um sombreiro imenso, nu da cintura para cima, carregado por todos os lados ao sabor da paixão coletiva.  

O campo do Azteca, nesse momento, é um manicômio: mexicanos e brasileiros, com bandeiras enormes, engalfinham-se num estranho esbanjamento de alegria.

Agora, quase não posso ver o campo lá embaixo: chove papel colorido em todo o estádio. Esse estádio que foi feito para uma festa de final: sua arquitetura põe o povo dentro do campo, criando um clima de intimidade que o futebol, aqui, no Azteca, toma emprestado à corrida de touros.

Cantemos, amigos, a fiesta brava, cantemos agora, mesmo em lágrimas, os derradeiros instantes do mais bonito Mundial que meus olhos jamais sonharam ver. Pela correção dos atletas, que jogaram trinta e duas partidas, sem uma só expulsão. Pelo respeito com que cerca de trezentos profissionais de futebol se enfrentaram, músculo a músculo, coração a coração, trocando camisas, trocando consolo, trocando destinos que hão de se encontrar, novamente, em Munique 74. 

Choremos a alegria de uma campanha admirável em que o Brasil fez futebol de fantasia, fazendo amigos. Fazendo irmãos em todos os continentes.

Orgulha-me ver que o futebol, nossa vida, é o mais vibrante universo de paz que o homem é capaz de iluminar com uma bola, seu brinquedo fascinante. Trinta e duas batalhas, nenhuma baixa. Dezesseis países em luta ardente, durante vinte e um dias — ninguém morreu. Não há bandeiras de luto no mastro dos heróis do futebol.

Por isso, recebam, amanhã, os heróis do Mundial de 70 com a ternura que acolhe em casa os meninos que voltam do pátio, onde brincavam. Perdoem-me o arrebatamento que me faz sonegar-lhes a análise fria do jogo. Mas final é assim mesmo: as táticas cedem vez aos rasgos do coração. Tenho uma vida profissional cheia de finais e, em nenhuma delas, falou-se de estratégias. Final é sublimação, final é pirâmide humana atrás do gol a delirar com a cabeçada de Pelé, com o chute de Gérson e com o gesto bravo de Jairzinho, levando nas pernas a bola do terceiro gol. Final é antes do jogo, depois do jogo — nunca durante o jogo.

Que humanidade, senão a do esporte, seria capaz de construir, sobre a abstração de um gol, a cerimônia a que assisto, neste instante, querendo chorar, querendo gritar? Os campeões mundiais em volta olímpica, a beijar a tacinha, filha adotiva de todos nós, brasileiros? Ternamente, o capitão Carlos Alberto cola o corpinho dela no seu rosto fatigado: conquistou-a para sempre, conquistou-a por ti, adorável peladeiro do Aterro do Flamengo. A tacinha, agora, é tua, amiguinho, que mataste tantas aulas de junho para baixar, em espírito, no Jalisco de Guadalajara.

Sorve nela, amiguinho, a glória de Pelé, que tem a fragrância da nossa infância.

A taça de ouro é eternamente tua, amiguinho.

Até que os deuses do futebol inventem outra.

Veja

 

Armando Nogueira: 14/01/1927 – 29/03/2010.



Escrito por Michel Costa às 20h14
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Vozes da Copa.

1930

"Vitória ou morte."

Grito dos argentinos que chegavam a Montevidéu para acompanhar a decisão contra a seleção local.

"O futebol de 30 não admitia passes para trás; a bola ia sempre em direção ao gol. Não ficávamos dando voltas pelo campo, recebíamos a bola sempre de frente para o gol."

Ernesto Mascheroni, campeão mundial pelo Uruguai, em entrevista ao Jornal da Tarde em 29 de maio de 1978.

"Hoje, falam que não sabíamos jogar futebol, que fomos campeões de mentira, mas quem fala assim nunca viu jogar um Anselmo, um Iriarte."

Ernesto Mascheroni na mesma entrevista.

"Na tarde em que os brasileiros, pela fatalidade, perdiam de 2 a 1 dos iugoslavos, eu passava por uma rua onde tinha um jornal. Vivas e mais vivas eram entoados, e eu disse ao meu companheiro: 'Os brasileiros venceram'. Um rapaz perto disse então: 'Não, senhor, os cariocas perderam por 2 a 1.' E com espanto maior vi desfilar um funeral, onde os cânticos fúnebres e morras aos cariocas ecoaram! Fiquei bobo e pensei como nós, argentinos, tínhamos pena de ver os brasileiros, alijados do campeonato, gozarem seus irmãos! Pensei que não estava em território brasileiro."

Feliz Inarra, dirigente do Huracán, da Argentina, que excursionava em São Paulo na época da Copa e viu nas ruas a comemoração pela eliminação da seleção formada quase que totalmente por jogadores cariocas.



Escrito por Michel Costa às 08h39
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