"O Boxing Day é a oportunidade para sair de casa, farto de agüentar as sogras e conversas sem interesse, tomar umas cervejas com os amigos e ver futebol. O paraíso deve ser uma coisa assim."
Gary Lineker, ex-jogador e atual comentarista da BBC, sobre o período em que a bola não para de rolar apesar das festas de fim de ano.
2009 chegou ao fim e é hora de rever os mais belos gols que marcaram o último ano desta década.
Claro que ainda falta o Boxing Day que, além de nos salvar de um fim de semana ressaqueado, pode nos brindar com alguma obra prima dos gramados ingleses. Caso isso aconteça, o vídeo será incluído neste post para apreciação.
A seguir, reveja os seis golaços selecionados por este blogueiro e escolha o seu...
Giuseppe Mascara (Catania) vs. Palermo. Além de amargarem uma goleada por 4 a 0 para seu grande rival, os Rosaneri ainda sofreram esse golaço do meio campo marcado por Mascara.
Grafite (Wolfsburg) vs. Bayern. Artilheiro e campeão da última edição da Bundesliga, o brasileiro Grafite assinalou essa obra de arte contra o gigante Bayern de Munique com direito a calcanhar no contrapé do zagueiro. Mágico!
Cristiano Ronaldo (Manchester United) vs. Porto. Quartas-de-final da UEFA Champions League 2008/9. Na partida de ida em Old Trafford, um empate em 2 a 2 dava ao FC Porto a chance de decidir em casa sua passagem para a semifinal. Todavia, um chute incrível de Cristiano Ronaldo determinou a eliminação de seus compatriotas.
Nilmar (Internacional) vs. Corinthians. Tudo bem que do outro lado estavam os reservas do Timão, mas isso não tira o mérito desse fabuloso gol marcado por Nilmar, uma das esperanças brasileiras para o próximo Mundial.
Dejan Stankovic (Internazionale) vs. Genoa. Este não foi mesmo o ano do goleiro Marco Amelia. Após levar aquele golaço de Mascara, meses depois sofreu este, marcado pelo interista Stankovic, em outra goleada agora sofrida por seu novo time, o Genoa.
Diego Souza (Palmeiras) vs. Atlético. A reta final do Verdão no Campeonato Brasileiro foi mesmo sofrível, mas, se existe algo de bom nesse período, este foi o gol marcado por Diego Souza, grande destaque do time paulista nesta temporada.
Se você acha o português José Mourinho excêntrico, então não conhece a história de Brian Clough.
Ex-atacante goleador de Middlesbrough e Sunderland, Clough encerrou precocemente sua carreira de atleta aos 29 anos, dois anos após sofrer uma grave lesão no joelho.
Como treinador, ao lado de seu (quase) inseparável auxiliar técnico Peter Taylor, levou o modesto Derby County das últimas posições da 2ª divisão até um improbabilíssimo título da 1ª divisão. Anos depois, à frente do Nottingham Forest, projetou o time que se sagrou campeão inglês em 1978 e bicampeão europeu em 1979/80.
Tudo isso graças, além de seu talento como treinador, a um comportamento agressivo, que o fazia bater de frente com seus próprios dirigentes, pressionando-os em busca de reforços capazes de qualificar seus elencos.
Desta maneira, é correto dizer que essa conduta de Clough precedeu a função denominada manager atualmente. Onde o trabalho de treinador acaba se fundindo ao de gestor de futebol.
Todavia, a trajetória desse polêmico técnico não é marcada apenas por sucessos. A película “The Damned United” (O Maldito United) conta exatamente essa parte, focando-se nos inacreditáveis 44 dias em que Brian comandou o Leeds United substituindo seu eterno desafeto, Don Revie, que havia deixado o clube de West Yorkshire para comandar o English Team.
Um filme imperdível para quem deseja conhecer mais a fundo a carreira de um dos maiores treinadores da história do futebol britânico e, por que não dizer, mundial.
Clough: O maior técnico que a Inglaterra nunca teve.
Quando lembramos que a votação da eleição do melhor jogador do ano da FIFA foi realizada ainda no início deste certame e com base no que aconteceu na temporada passada, fica evidente que o primeiro posto só poderia ser ocupado por Lionel Messi.
Com apenas 22 anos, o argentino já consolidou seu nome entre os maiores craques dos nossos tempos e, a julgar por seu imenso talento, ainda há muita coisa pela frente.
Há alguns dias, o camisa 10 do Barcelona conquistou seu sexto título nos últimos meses. Ganhou tudo o que um jogador poderia ganhar por um clube e ainda conseguiu a proeza de ser o destaque individual numa equipe que é reconhecida justamente por seu inigualável coletivo.
É até difícil reunir adjetivos para falar dele. Messi é daquele tipo de jogador capaz de desafiar a lógica, de enganar marcadores e cortar os espaços. É capaz de inventar soluções numa fração de segundo e ainda fazer parecer que aquilo foi fácil. Messi é, antes de tudo, especial.
AP
Messi na cerimônia de entrega do prêmio FIFA 2009.
FIFA vs. France Football.
Existe uma certa estática quando se fala nos dois maiores prêmios individuais do futebol.
Para muitos, sobretudo para a imprensa, a Bola de Ouro oferecida para revista France Football é o prêmio mais importante que um atleta pode receber. Argumentam que ele é mais tradicional e até mesmo mais qualificado, uma vez que os votantes são os correspondentes da revista espalhados ao redor do planeta.
Por outro lado, existem aqueles que defendem o prêmio ofertado pela entidade máxima do futebol como o mais importante. Afinal, quem melhor para apontar o melhor jogador do que os treinadores e capitães das seleções? Não seriam os praticantes do esporte em questão, mais qualificados que aqueles que o acompanham à distância?
À parte dessa polêmica, não existe muita diferença entre os vencedores e indicados nos dois prêmios. Desde 1995, data em que a France Football estendeu seu laurel a jogadores que qualquer nacionalidade, só não houve a mesma indicação em quatro oportunidades.
Em 96, o líbero alemão Matthias Sammer levou a Bola de Ouro, enquanto o brasileiro Ronaldo ficava com o troféu da FIFA.
Em 2000, Figo levou a Bola de Ouro e no ano seguinte foi o melhor pela FIFA. Enquanto isso, Zidane foi escolhido pela FIFA em 2000, ficando a Bola de Ouro do ano seguinte para o inglês Michael Owen.
2003 foi o ano de Pavel Nedved para os franceses. Todavia, a entidade baseada na Suíça acabou escolhendo Zidane novamente.
Por fim, em 2004, Shevchenko foi premiado com o Ballon d’or, enquanto Ronaldinho chegava ao topo por sua primeira e espetacular temporada com o Barcelona.
Sinceramente, penso que ambos os prêmios são equivalentes e são parecidos até nos equívocos. Sendo que o maior deles foi a eleição de Fabio Cannavaro em 2006. Concordo que o italiano foi um dos grandes destaques do último Mundial, mas só foi eleito porque a Azzurra foi campeã do mundo. Claro que a Copa é importante, porém, não pode definir tudo. Equívoco semelhante ocorreu com Ronaldo em 2002.
Aliás, quer conhecer o melhor de 2010? Espere o Mundial da África terminar e aponte o melhor jogador da seleção campeã. A chance de acertar será de 99%.