Quem viu o choro copioso de Josep Guardiola após a vitória do Barcelona sobre o Estudiantes deve ter percebido o quanto a conquista do Mundial de Clubes foi importante para seu clube e, sobretudo, para ele.
Para o clube, foi a conquista do único grande troféu que faltava em sua galeria, além de fechar com chave de ouro o mais vitorioso ciclo de sua história.
Para o jovem treinador, significou sua completa afirmação à frente do clube que o projetou para o futebol e que lhe deu a primeira grande oportunidade em sua segunda carreira.
Já escrevi algumas vezes aqui no blog que não sou a favor de grandes clubes contratarem treinadores inexperientes. Todavia, no caso específico de Guardiola, essa inexperiência foi fartamente compensada por um profundo conhecimento da filosofia de jogo barcelonista, além de uma ótima visão do que acontece em campo, qualidade herdada de seus tempos como volante clássico.
No que tange a partida de hoje, algumas observações:
- Garra e aplicação não faltaram ao Estudiantes em nenhum minuto. Faltou futebol mesmo. Em vantagem no placar, com o Barça se lançando desesperado ao ataque, faltou qualidade técnica aos Pinchas para tramar um contragolpe que àquela altura seria fatal. Gostei apenas de Verón e Boselli. O restante, basicamente, correu.
- Messi foi discreto durante quase todos 120 minutos. No fim, marcou o gol do título e saiu como o melhor do torneio. Mas terá sido mesmo?
- Apesar de alguns bons passes, Ibrahimovic mostrou mais uma vez que partidas decisivas não são o seu forte. Errou chutes e cabeceadas que poderiam ter resolvido antes o cotejo.
- Mais uma vez a história de que existe um abismo entre os melhores da Europa e os melhores da América do Sul esteve em xeque. Claro que existe diferença, mas ela está longe de ser abismal. Por poucos minutos, os argentinos não venceram ainda no tempo normal. E, a propósito, fizeram mais do que a Internazionale fez na fase de grupos desta Champions League.
- A festa dos catalães ao empatar, virar e vencer a partida mostrou que os europeus se importam com o Mundial sim. A exceção a essa regra talvez fique para os britânicos, algo explicado de maneira perfeita por Ubiratan Leal em coluna sobre futebol espanhol no site Trivela (leia aqui).
Finalizando, alguns números interessantes sobre a competição em destaque:
- O título do Barcelona foi a terceira conquista dos europeus nas seis edições sob a chancela da FIFA. Agora, além da Espanha, são três títulos brasileiros, um italiano e um inglês.
- Somando o atual formato ao antigo, observamos que a América do Sul tem um título a mais que a Europa: vinte cinco a vinte e quatro.
- Até a chamada Lei Bosman entrar em vigor, os sul-americanos possuíam mais conquistas. Contando a partir da implantação do citado mecanismo legal, o Velho Continente está na frente com dez vitórias contra cinco.
- O Milan é o clube que mais ergueu o Mundial. São quatro títulos, sendo o último em 2007 já no atual formato. São Paulo, Boca Juniors, Peñarol, Nacional e Real Madrid vêm logo atrás com três conquistas.
- Brasil e Argentina somam o maior número de títulos por país. São nove troféus ao todo, sendo que o último foi erguido pelo Internacional em 2006. Em seguida, vem a Itália com oito e o Uruguai com seis.
E então, gostaram da final entre Barcelona e Estudiantes?
Marca.com
Alguém ainda duvida da importância desta conquista para o Barça?
A UEFA sorteou nesta sexta-feira os confrontos das oitavas de final da UEFA Champions League e acabou proporcionando o encontro prematuro de alguns postulantes ao título.
O Milan, sete vezes campeão continental, terá pela frente o Manchester United, vencedor em três oportunidades e atual vice-campeão. Ainda em fase de reconstrução após a chegada do técnico Leonardo, os Rossoneri têm a seu favor o melhor retrospecto no confronto.
Outro duelo que promete é Internazionale e Chelsea. Aqui, o português José Mourinho reencontrará muitos de seus ex-comandados dos tempos de Blues. Enquanto isso, pelo lado londrino, Carlo Ancelotti enfrentará a rival de tantos Derbies Della Madonnina.
As partidas de ida acontecerão nos dias 16, 17, 23 e 24 de fevereiro. E as de volta, em 9, 10, 16 e 17 de março.
A seguir, confira todos os confrontos com os favoritos deste blogueiro em caixa alta.
Sttutgart x BARCELONA Olympiacos x BORDEAUX Internazionale x CHELSEA BAYERN x Fiorentina CSKA Moscou x SEVILLA Lyon x REAL MADRID Porto x ARSENAL Milan x MANCHESTER UNITED
Com esses apontamentos, considero também que todas as equipes italianas conhecerão o fim da linha nesta fase. Algo que, futuramente, poderá significar a perda de uma das quatro vagas europeias que o país dispõe no momento.
E para você, quem são os favoritos para essa fase?
Como acontece desde 2005, a final do Mundial Interclubes da FIFA será disputada pelo campeão da Taça Libertadores da América contra o campeão da Liga dos Campeões da Europa.
Após derrotar os coreanos do Pohang Steelers por 2 a 1, o Estudiantes pegará o Barcelona que hoje bateu os mexicanos do Atlante por 3 a 1. Ou seja, tudo saiu como esperado e as duas melhores equipes da competição farão a final que todos imaginavam desde o começo.
No entanto, se engana quem pensa que o Barcelona erguerá o troféu no sábado com toda certeza. Apesar de ser – pelo menos para mim – o melhor time do mundo e favorito para vencer a partida do próximo sábado, o Barça não é imbatível. Há poucas semanas, o Rubin Kazan mostrou que é possível vencer os catalães sem que isso vire o mundo de cabeça para baixo.
Para conseguir essa proeza, os russos praticaram um futebol coeso, solidário e baseado nos contragolpes. Coisa que o Estudiantes provavelmente tentará fazer. Além disso, os Pincharratas têm na figura do maestro Verón a válvula de escape para que os contra-ataques saiam redondos do meio-campo.
Mas, se isso ainda não é suficiente para convencer o nobre leitor de que nada está definido, que tal lembrar que das quatro últimas edições do torneio, já sob o atual formato, cada continente levou o troféu para casa em duas oportunidades?
Em 2005, o São Paulo fez um bom primeiro tempo contra o Liverpool. Abriu o marcador, contou com o arqueiro Rogério Ceni inspirado na segunda etapa e com a (correta) anulação de alguns gols dos Reds...
No ano seguinte, inspirado pelo modo como o Chelsea havia neutralizado o Barcelona pela UCL corrente, o Internacional adiantou sua marcação e interferiu no toque de bola culé. No segundo tempo, após bela jogada de Iarley e conclusão de Adriano Gabiru, o Colorado conquistou o mundo pela primeira vez...
E então, depois de tudo isso, você é capaz de cravar o vencedor?
Aquele lance ou momento que você, por um motivo ou outro, nunca esqueceu.
Hora do lanche?
No último “Lembra desse?!”, o leitor Guilherme Siqueira me fez lembrar de uma curiosa história envolvendo o narrador Paulo Stein na extinta Rede Manchete.
Era a Copa de 98, com a anfitriã França em campo. Infelizmente, não me lembro agora quem era o adversário, mas, recordo que durante a partida o Paulo Stein ficou alguns minutos sem narrar nada! O jogo rolando e nem uma palavra. Cheguei a pensar que era algum problema técnico, quando, ao ver um atacante da seleção adversária entrando em diagonal e chutando com perigo, Stein interrompeu seu silêncio e, sem muito entusiasmo, narrou:
“Passou ali assustando o Barthez.”
E continuou em silêncio por mais algum tempo.
Das duas uma: Ou ele estava conversando com alguém fora do microfone ou estava fazendo um belo lanche enquanto transcorria a partida.
É por essas e outras que a Manchete não existe mais...
ESPN
Atualmente, o bonachão Stein trabalha na ESPN Brasil.
Você conhece alguma história interessante sobre o mundo da bola? Mande-a para meu e-mail: a4l@bol.com.br e coloque no assunto: 'Lembra desse?!' e ela poderá ser publicada aqui!
“Estava voltando do meu plantão. Por voltas das 20h45, o ônibus foi cercado e começaram a atirar pedras e paus.
Jogaram uma bomba caseira que caiu no meu colo, depois ela rolou até chegar nos pés da minha mãe, que estava comigo. Quando fui tentar afastar dela, explodiu na minha mão. O ônibus seguiu um pouco e fui socorrida por bombeiros. Esses animais arrancaram de mim meus sonhos, meu futuro.”
Tânia R. da Silva, 46, enfermeira e vítima da violência de torcedores do Coritiba após o empate com o Fluminense que resultou na queda dos paranaenses para a Segunda Divisão. Com a explosão, Tânia perdeu três dedos de sua mão direita.