Poucos discordam que a edição 2009 do Campeonato Brasileiro é uma das mais emocionantes de todos os tempos. Enquanto escrevo este texto, antes da 37ª e penúltima rodada, quatro times ainda disputam o título (São Paulo, Flamengo, Internacional e Palmeiras) e dois ainda possuem chances matemáticas (Atlético-MG e Cruzeiro).
Mas será que emoção significa alto nível? Para alguns, sim. O fato de haver tantos times na disputa do título transforma o campeonato brasileiro no melhor campeonato nacional do mundo. Para outros, nem tanto. E argumentam que o campeonato está nivelado por baixo e que o equilíbrio só acontece porque nenhum time consegue se destacar.
Buscando uma resposta que fuja do achismo comum, resolvi procurar no parâmetro de sempre – os campeonatos europeus, lógico – a resposta para essa inquietante pergunta.
Projetando o fim deste campeonato imaginando que o líder São Paulo ficará com o título após duas vitórias, teremos um vencedor que somará 68 pontos em 38 rodadas. Um aproveitamento de 59,6%. Bem mais baixo do que a média das disputas por pontos corridos no Brasil que é de 67,2%, sendo que a melhor campanha pertence ao Cruzeiro e seus 100 pontos em 46 rodadas em 2003 (72,5%), primeiro ano após a adoção da atual fórmula.
Para se ter uma ideia, se observarmos os últimos dez anos dos campeonatos inglês, espanhol e italiano veremos que o campeão com o desempenho mais baixo nesse período foi o Deportivo La Coruña, que conquistou a liga espanhola de 1999/2000 somando apenas 69 pontos. 60,5% dos pontos, para ser mais exato.
Isso mesmo. O aproveitamento mais baixo de um campeão em somadas trinta edições dos três campeonatos mais badalados do mundo ainda é maior do que a melhor hipótese desta edição do Brasileirão.
Quando comparamos a média dos campeões por pontos corridos no Brasil com as citadas ligas, vemos que ainda há uma diferença razoável. Dos nossos 67,2% para 73,4% dos estrangeiros.
“Ah, mas isso acontece porque na Europa existe um abismo entre os grandes e os pequenos.” Isso é verdade. Na Inglaterra, por exemplo, a distância média entre o primeiro e o último colocados é de (incríveis) 54,7%. E vem aumentando. Nos últimos cinco anos, a distância média entre o primeiro e último subiu para 58,2%.
A título de comparação, após a 36ª rodada, a distância do líder São Paulo para o lanterna Sport é de 31 pontos. Apenas 28,7 pontos percentuais. Pouco, se compararmos com as grandes ligas.
Observar o último colocado também pode servir de parâmetro. Nos citados países do Velho Continente, o aproveitamento médio dos últimos colocados na citada década é de apenas 22,9%. Aqui, de 2003 a 2008, encontramos 27,4%. Sendo que o “melhor rebaixado” foi o Bahia em 2003 com 46 pontos em 46 rodadas. 33,3%, portanto.
Baseando-me nesses números, acabei indo de encontro ao que sempre diz o colunista Tostão que afirma que a diferença dos grandes campeonatos europeus para o nosso está na presença de gigantes absurdamente mais fortes que os outros participantes.
Não sei se o ex-jogador pesquisou as tabelas das ligas europeias antes de desenvolver a sua tese, mas é exatamente isso o que constatei. Se tirarmos Inter, Milan e Juventus da Itália, Barcelona e Real Madrid da Espanha e, por fim, Manchester United, Chelsea e o terceiro colocado (seja Arsenal ou Liverpool), notamos que o desempenho médio das outras equipes é até menor que o desempenho médio do campeão brasileiro.
Antes que alguém comente abaixo que eu sou maluco por comparar realidades tão diferentes, aviso que não escrevo aqui sobre uma comparação direta com o que acontece na Europa. Apenas esboço um parâmetro não-científico entre o que vemos por aqui e o que acontece lá fora e concluo que o nosso campeonato não está nivelado por baixo, como insinuam alguns, mas nivelado pela média ou pelo meio. Algo que explica bem o equilíbrio tão grande e positivo que temos hoje.
Fotomontagem: Editora Abril
Separados por um ponto, São Paulo e Flamengo disputam a liderança.
Aquele lance ou momento que você, por um motivo ou outro, nunca esqueceu.
Tiozinho.
Sempre quando ouço os comentários do ex-jogador Neto, fico com a impressão de que os telespectadores da Band mereciam coisa melhor. E isso piora quando se trata de futebol internacional. Piora não, desanda de vez.
Certa ocasião, Neto comentava uma partida do Manchester United ao lado do ótimo Mauro Beting quando os Red Devils marcaram um gol após uma belíssima trama ofensiva. Logo em seguida, um senhor calvo com um sorriso discreto nos lábios aplaudia a jogada enquanto foi focalizado nas tribunas de Old Trafford. Sem perder tempo, Neto disparou:
- O tiozinho gostou.
Calmamente, Mauro retrucou:
- O tiozinho ali é Sir Bobby Charlton. Maior jogador da história do Manchester United e uma lenda viva do futebol inglês.
Houve silêncio por alguns segundos.
Lance
Neto: Como comentarista é um bom ex-jogador.
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A pergunta que eu costumo me fazer quando vejo o time da Internazionale em campo é: Como um time tão caro pode tratar tão mal a bola?
A resposta não demora muito a ecoar em minha cabeça. De nada adianta gastar tubos e mais tubos de dinheiro se do elenco montado não for possível extrair um time de verdade, que apresente um sentido coletivo e uma filosofia de jogo, seja ela qual for.
A impressão que eu tenho da Inter é que se trata de um grupo de individualidades disposto em campo. Por se tratarem de estrelas mundiais, cumprem relativamente bem seus papéis, mas não funcionam coletivamente. Não há unidade.
Escalar o meio-campo que começou jogando contra o Barcelona ontem no Camp Nou ilustra bem o que eu quero dizer: Cambiasso, Zanetti, Thiago Motta e Stankovic são bons atletas, até sobra aplicação, mas falta criatividade. Falta saber o que fazer com a bola.
José Mourinho percebeu essa deficiência no plantel logo que chegou. Primeiro, pediu a contratação de Lampard e na temporada seguinte pediu Deco. O Chelsea não liberou nenhum dos dois e a solução encontrada foi Sneijder.
Mas Sneijder não é esse tipo de jogador. O holândes até acrescenta bons passes e chutes ao repertório dos Nerazzurri, mas não é propriamente um criador, embora, dentro do elenco, seja quem mais se aproxime disso.
Ajudaria se os outros jogadores do meio soubessem o que fazer com a bola. Como faz Pirlo no Milan ou mesmo Xavi no Barcelona. Houvesse alguém armando por trás, talvez essa deficiência não seria tão sentida.
Enquanto isso, Eto’o e Milito correm e se movimentam, mas a bola não chega com qualidade. Até chega, mas quando Maicon investe pela direita e se aproxima da dupla. Fora isso, o que se vê é um deserto de ideias.
Obviamente, passa pelo treinador a reivindicação de nomes que possam suprir essa crônica carência. Mourinho reconhece que o time ainda não alcançou o nível necessário para o jogo, mas a julgar por suas declarações externando sua vontade de retornar ao futebol inglês, não vejo disposição para um trabalho de longo prazo buscando a montagem de um elenco que responda às atuais necessidades.
Como todos sabem, o presidente Massimo Moratti sonha repetir o feito de seu pai, Angelo, e conquistar uma Champions League. Se o mandatário realmente deseja ver esse sonho realizado, terá que entender que só dinheiro não é suficiente. É preciso uma filosofia de jogo, um sentido coletivo. Algo que a Inter não possui.
Quem é o jogador citado na(s) afirmativa(s) abaixo?
I – Foi um ótimo atacante, mas por conta de uma grave contusão começou cedo sua segunda carreira, a de treinador.
II – Polêmico, conquistou títulos, admiradores e desafetos.
III – Entre seus principais troféus estão dois títulos ingleses e duas Ligas dos Campeões.
IV – Sua vida acaba de ser retratada no cinema.
Atenção: Serão quatro alternativas ao todo. Uma por dia. Cada uma revela determinada informação do jogador e/ou treinador que, reunidas, formam uma resposta única. Agora, cuidado ao arriscar, pois cada participante só tem direito a uma opção.
Boa sorte a todos!
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Quem é o jogador retratado abaixo?
Resposta: O jogador retratado é Robert Enke (24 de agosto de 1977 – 10 de novembro de 2009). Ex-goleiro de Benfica, Barcelona, Fenerbahçe e Hannover 96, seu último clube, Enke chocou o mundo do futebol ao cometer suicídio, atirando-se na frente de um trem na Alemanha.
O arqueiro alemão sofria de depressão há cerca de seis anos e deixou esposa, Teresa, e uma filha adotiva, Leila.
Classificação: Parabéns ao André Chasee (é este mesmo o sobrenome?) o primeiro acertador do desafio. Com o resultado, segue o tríplice empate na liderança e cresce a expectativa sobre quem conseguirá novamente isolar-se na ponta.
1º) Cyntia, Rodolfo Moura e Yuri – 37 pontos.
2°) JP – 33 pontos.
3º) Guilherme Siqueira – 21 pontos.
4º) André Chasee – 15 pontos.
5º) Prisma – 13 pontos.
6º) Fernando – 11 pontos.
7º) Darley – 10 pontos.
8º) Ângelo e Uendel – 9 pontos.
9º) Leonardo – 8 pontos.
10º) Fernando Clemente – 6 pontos.
11º) Repolho – 4 pontos.
12º) Bruno e Hellerson – 3 pontos.
13º) Douglas Cunha, Felipe e Lucimar – 1 ponto.
Enke defendendo sua pátria. Ele seria titular em 2010.
O futebol é mesmo um esporte ímpar quando se trata de proporcionar emoções. Sábado, na partida entre Monterrey e América pelo campeonato mexicano, uma cena comoveu a todos os presentes no estádio.
O único gol da partida vencida pelos donos da casa foi anotado pelo atacante Aldo De Nigris, irmão do falecido Antonio De Nigris que deixou este mundo no último dia 16.
Note a emoção de Aldo após completar para as redes...
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