Foi exatamente isso o que me passou pela cabeça quando vi os políticos e dirigentes brasileiros que estavam na Dinamarca comemorando o anuncio do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Era felicidade demais, mas também oportunidades demais para futuros desvios e superfaturamentos, algo recém-revelado (mas já aventado) sobre o Pan 2007. Com anúncio, eles estavam ainda mais ricos.
Como funcionário público, já cansei de ver obras que superam e muito a realidade, desde a reconstrução de uma escola estadual de porte médio na pequena Antônio Carlos que vai custar 2,4 milhões de reais até o absurdo e faraônico centro administrativo orçado em mais de 1 bilhão que o governador Aécio Neves constrói em Belo Horizonte.
Tudo isso me faz ter a certeza de que boa parte da quantia destinada à Copa 2014 e aos Jogos 2016 vai parar nos bolsos já abarrotados dessa gente e que o legado desses projetos deve ser muito menor do que se promete.
No entanto, uma conversa com dois amigos mais velhos me fez ver a situação também por outro ângulo. Eles enfatizaram os muitos empregos diretos e indiretos que as obras e os eventos vão gerar e constataram o óbvio: Independente da realização ou não, os estupros aos cofres públicos vão continuar acontecendo de uma maneira ou de outra. Se não acontecerem nesses eventos, vão acontecer na construção de estradas, escolas, pontes, viadutos e em tudo que estiver envolvido o dinheiro do contribuinte.
Não tive como discordar. Como administrador, sei bem como essa engrenagem funciona. Além disso, não é possível negar o bem que abrigar competições desse porte pode fazer à auto-estima do brasileiro e perceber quanto crédito nosso país tem hoje no mundo, sobretudo por se tratar de uma nação cuja economia não para de crescer e que no futuro deve se alinhar perfeitamente às cinco maiores do planeta.
Assim, só resta torcer para que a fiscalização de ONGs e imprensa seja a melhor possível e que o povo possa desfrutar - pelo menos pela TV - dos espetáculos que o seu dinheiro suado estará patrocinando.
Rio 2016. Aproveite, pois você também vai pagar a conta.
A nova campanha publicitária da Adidas inovou. Em vez dos vídeos com jogadores em situações inusitadas, a empresa de material esportivo decidiu ilustrar seus contratados na forma de quadrinhos.
Os escolhidos foram Gerrard, Kaká e Adebayor. Zidane também dá as caras como um misterioso caça-talentos em busca de grandes valores do futebol mundial.
Para ilustrar as aventuras do trio formado por um inglês, um brasileiro e um togolês, foram contratados respectivamente os renomados J.G Jones (Wanted, Crise Final), Ryan Benjamim (Punho de Ferro) e Jae Lee (A Torre Negra).
As três partes da “Grande Busca” estão on line. Confira:
No ar, mais uma edição do D’Primeira. Destaque para as ótimas análises da 25ª e 26ª rodadas do Brasileirão, além de uma crítica aos clubes que se acham perseguidos pela arbitragem ruim do futebol brasileiro. Tema este, que futuramente será abordado neste espaço.
Vale conferir também o apanhado sobre o futebol europeu e a ótima trilha sonora. Esta parece ter sido escolhida a dedo.
O título acima parece slogan de campanha política, mas não é. Trata-se apenas do modo como tenho visto as recentes decisões da gestão de Michel Platini à frente da UEFA.
Também não se trata de nenhum favor do dirigente, apenas o cumprimento de uma obrigação: governar para todos os clubes filiados à entidade máxima europeia. Isso significa sancionar leis que ajudem a equilibrar o mercado, que controlem os gastos dos clubes e que, sobretudo, contribuam para o fomento do esporte em todo continente.
Entre os principais focos do ex-jogador estão o apoio à FIFA na tentativa de implantação da regra “6+5” - que limitaria a escalação de atletas estrangeiros, mas que por ferir a legislação da União Europeia deve nascer morta - o Financial Fair Play que obrigaria as agremiações a gastarem apenas o que arrecadam e, por fim, a reestruturação das ligas continentais, objeto deste texto.
Na última edição do programa “Fora de Jogo” da ESPN, Mauro Cezar Pereira e Paulo Vinícius Coelho debateram acerca do tema UEFA Champions League. Na opinião de Mauro Cezar, a recente mudança na fórmula de classificação para a competição - onde campeões de ligas com menor expressão disputam apenas entre si vagas na fase de grupos - é uma manobra política do “cartola” Platini. Por sua vez, PVC argumenta que a maior participação de clubes pertencentes a mercados periféricos pode fomentar o futebol desses países.
Particularmente, sigo a segunda tese. Embora eu concorde que é mais interessante tecnicamente ver o quarto ou até o quinto colocado da liga inglesa ou italiana do que ver o campeão cipriota em campo, não se pode negar a um campeão nacional a disputa de um torneio cujo direito foi conquistado erguendo o troféu nacional.
Dizer que esses times são meros figurantes entre os gigantes é uma verdade inegável. E mesmo aprontando esporadicamente, entram na disputa pela terceira colocação e quem sabe pelo milagre da classificação para as oitavas-de-final. Assim, com essa limitação, o alto nível da Champions permanece inabalado em seu grande momento, que acontece justamente com o afunilamento das oitavas que, mesmo com o formato eliminatório, ainda é um aniquilador de zebras.
Outro aspecto importante é que faz parte das obrigações da entidade distribuir sua premiação da melhor maneira possível, ou seja, fazendo com que os recursos cheguem onde mais se precisa deles.
O argumento de que a Liga Europa é o torneio dos pequenos também não me convence. A menor importância financeira e visibilidade da competição só fariam ampliar o danoso abismo entre os clubes. É ampliar cada vez mais a desigualdade, algo que só alguém que se preocupa apenas com o espetáculo poderia defender. Felizmente, esse não parece ser o caso de Platini.
1ª rodada: Liverpool 1x0 Debrecen. Mas os húngaros tiveram o direito de lutar.