Ao ler e ouvir notícias dando conta de que o prestígio de Felipão no Chelsea anda meio abalado e que a situação do clube está longe do que se pode de chamar de estável, logo me vem à cabeça um pensamento de quando Roman Abramovich comprou o clube.
Até quando vai essa brincadeira? Até que ponto um bilionário russo que tem interesses que não são necessariamente esportivos vai levar adiante a brincadeira de ser dono de um supertime?
Se for verídica a informação de a crise econômica mundial fez sua fortuna cair estarrecedoramente de € 16,7 bilhões para € 2,3 bilhões é bem provável que, em breve, o clube de Stamford Bridge seja colocado à venda.
E não é absurdo pensar que essas questões extra-campo estejam afetando o desempenho dos Blues, já que a base da montagem dessa equipe sempre foi financeira e, por que não dizer, artificial. Pensar que a fonte pode secar a qualquer momento não deve ser nada agradável para os astros da bola, hoje, verdadeiras empresas.
Outra divagação constante é sobre como o dinheiro entra fácil no futebol inglês. Parece que não importa de onde ele veio, a quem ele pertence. O mais importante é que ele reforce ainda mais o chamado melhor campeonato do mundo. A origem da grana? Isso, na grande maioria das vezes é algo secundário.
Mas, no fim, o grande prejudicado é o futebol. Esses bilionários aventureiros não estão nessa unicamente pelo esporte. É diferente de um Massimo Moratti que tem ligações afetivas e históricas com a Internazionale.
Todo esse investimento na Premier League cheira como algo efêmero e que, guardadas as devidas proporções, me lembra o que houve no Brasil há alguns anos quando alguns investidores internacionais desembarcaram por aqui prometendo cifras nunca antes vistas e que ao notarem que o seu objetivo não seria alcançado ou que os cartolas tupiniquins estavam mais a fim de abocanhar algumas suculentas fatias do bolo caíram fora.
Sinceramente, não me surpreenderei se algo assim ocorrer um dia na Terra da Rainha. Infelizmente.
Quando a mesa redonda do programa Linha de Passe da ESPN/Brasil elege os gols internacionais mais bonitos da semana, José Trajano costuma dizer que os tentos marcados no Campeonato Inglês não valem porque são sempre golaços.
Com essa brincadeira, o veterano comentarista quer dizer que a atmosfera do jogo, o estádio cheio e, sobretudo, as imagens da geradora britânica tornam a partida um verdadeiro espetáculo.
O vídeo abaixo mostra o último confronto entre Arsenal e Liverpool pela Premier League. Um bom jogo, mas que não foi considerado notável pela crítica internacional. No entanto, as imagens, os gráficos de apresentação e as tomadas dos times em ação tornam tudo muito atraente de se acompanhar:
O duelo entre Palmeiras e São Paulo pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro deste ano foi considerado um jogaço por quem acompanhou do estádio. No 2 a 2, não faltaram emoções e grandes jogadas. No dia seguinte, a crítica esportiva foi unânime ao afirmar que tinha sido um dos melhores embates do campeonato. Infelizmente, quem assistiu em casa teve que acompanhar o clássico através do famoso "Padrão Globo", onde os atletas são focalizados de maneira muito próxima e horizontal. O que para alguns foi grandioso para mim pareceu uma pelada de luxo:
A diferença que eu quero enfatizar não tem nada a ver com a diferença técnica entre as equipes. Essa é outra discussão. Escrevo agora sobre a diferença na qualidade da transmissão. Enquanto a TV inglesa prima pela excelência, a brasileira está maispreocupada em esconder as placas de publicidade expostas ao redor do gramado. De certa maneira, é como ver um filme sob a ótica de diretores distintos. Se a fotografia de uma película for mais interessante que a de outra, a tendência é que o espectador o escolha a primeira. Algo bastante compreensível por sinal.
Muita gente que diz que o futebol brasileiro não presta. Mas poucos assistem aos jogos no estádio, limitando-se aos ângulos desfavoráveis da geradora nacional. Não foram poucas as vezes em que vi equipes brasileiras em ação por torneios internacionais onde as imagens valorizavam características tupiniquins como os dribles e o toque de bola, tornando mais bonito o que se vê. Qualquer final de Mundial Interclubes deixa isso claro. Mas entendo que é pedir demais que os críticos de sofá percebam isso.