Chega ao fim a saga do rubro-negro carioca no ano de seu centenário. Chamar aquele ano de conturbado é pouco. Hoje, contar alguns episódios que se passaram há treze anos foi algo bem mais divertido do que vivenciá-los na época.
Parte V - Professor Apolinho.
Os maus resultados foram decisivos para a saída de Edinho. Contratado por se relacionar bem com os jogadores, o treinador não suportou uma seqüência negativa e foi demitido. Diversos nomes estavam cotados para substituí-lo, mas o escolhido surpreendeu até o mais bem informado jornalista carioca: Washington Rodrigues, o Apolinho.
Ex-repórter e radialista esportivo, Apolinho (ganhou esse apelido por usar o mesmo microfone sem fio que usavam os astronautas da missão Apolo) notabilizou-se pelos excelentes comentários acerca do assunto. Além disso, o fato de ser flamenguista de coração pesou a seu favor.
Curiosamente, o jornalista também não fazia idéia de que seria sondado pelo presidente Kléber Leite quando foi convidado a participar de uma reunião para definir a escolha do novo comandante rubro-negro. Inclusive, chegou a levar consigo uma lista de nomes para serem debatidos com o dirigente.
Com seu jeito extrovertido e brincalhão, Washington conquistou rapidamente o plantel. Até mesmo Romário, com quem se desentendera no passado, o respeitava e elogiava. Em campo, apesar de um 3 a 0 sofrido para Santos no Maracanã, os resultados melhoraram. Sobretudo na Supercopa dos Campeões da Libertadores, quando o Flamengo eliminou o Cruzeiro e o campeão mundial Vélez Sarsfield.
Mas é impossível relembrar o confronto com os argentinos sem citar alguns momentos quase surreais. No jogo de ida, vitória rubro-negra de virada com direito a show de Sávio.Agora, a partida de volta ficou marcada por uma briga generalizada. Tudo começou com Edmundo que, com seu jeito peculiar, deu um leve tapa no rosto do defensor Zandona. Em troca, levou uma bofetada que deve ter reflexos até hoje no seu olho esquerdo. Em seguida, seu oponente ainda lhe deu mais um soco que o levou a nocaute. Claro que Romário & Cia. não ficaram de fora da briga que demorou alguns minutos para ser controlada.
Mesmo com esses problemas, o Flamengo chegou à final do torneio. Era a grande (e última) chance de se conquistar um título no ano do centenário. Mas o adversário da final era o temível Independiente, "o Rei de Copas". Na primeira partida, em Avellaneda, 2 a 0 para os Rojos. Na volta, o triunfo carioca por apenas 1 a 0 pôs fim ao sonho maior do clube. Como consolo, os jogadores receberam os aplausos de um Maracanã lotado que reconheceu o esforço de todos.
Até hoje o ano de 1995 reserva um gosto amargo para os flamenguistas. E para mim não é diferente. Os torcedores pagaram caro o preço de contar com uma diretoria megalomaníaca e pouco competente. Mas nenhuma ferida era grande o bastante que não pudesse ser curada pelo título estadual invicto do ano seguinte...
A seguir, os melhores momentos da vitória sobre o Vélez na Argentina:
E o nocaute de Edmundo:
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Fabiano Santacroce nasceu em Camaçari-BA há 22 anos. Filho de um italiano com uma brasileira, mudou-se para a Itália aos cinco anos. Foi criado em Casatenovo, Lombardia, e tudo o que sabe de futebol foi aprendido no páis que o adotou. Iniciou sua carreira nas categorias de base do Como e de lá rumou para o Brescia, onde se tornou conhecido. Transferiu-se para o Napoli em janeiro e, confirmando seu grande momento, acaba de ser convocado por Marcello Lippi para defender a Azzurra nas Eliminatórias da Copa de 2010.
O exemplo acima reflete, de uma forma justa, como um atleta nascido num determinado país deveria defender outro. Santacrose, assim como o interista Mario Balotelli, são italianos e nada mais justo do que defenderem sua seleção. Só que, infelizmente, alguns casos deixam a justiça de lado para se tornarem apenas convenientes.
Esse é o caso de Camoranesi, Deco, Marcos Senna e, se tivesse sido convocado, Amauri. Todos nasceram e se formaram jogadores em seus países (no caso, Argentina e Brasil) de origem. Posteriormente, já adultos, buscaram o melhor para suas carreiras em gramados europeus.
Nada impede que um cidadão adquira o direito de se naturalizar desde que cumpra todos os requisitos legais para tanto. Além disso, a cultura, os costumes e outras peculiaridades de um país também podem se incorporar ao dia-a-dia de uma pessoa independente do seu local de nascimento. Isso é um ponto pacífico.
O problema é quando uma agremiação ou federação nacional de qualquer modalidade - o que está havendo na Copa do Mundo de Futsal é uma vergonha - faz uso disso com o intuito de levar vantagem sobre os outros. No ápice dessa onda de naturalizações, a federação do Qatar tentou contratar alguns jogadores para que se naturalizassem catarianos e assim defender o país. O atacante brasileiro Aílton foi um dos que quase embarcaram nessa, mas, pelo menos daquela vez, a FIFA impediu que houvesse mais um absurdo.
Penso que a entidade máxima do futebol deveria intervir mais. A todo momento, lançam mão do discurso de valorização das seleções por meio de incentivo à prática do esporte e às categorias de base. Está na hora de pensar noutras maneiras de aplicar essa política. Se é que se trata de um discurso realmente sério.
Divulgação Santacrose: De Camaçari para a Azzurra.
Mais uma vez, o presidente do Flamengo, Márcio Braga, perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Em entrevista concedida ontem à Radio Brasil, o dirigente rubro-negro, eufórico com a possibilidade de ser campeão brasileiro, disse que já prepara a festa do título:
"O Flamengo vai ser campeão. Já estamos nos organizando para a grande festa do hexacampeonato. O time está preparado, fez uma belíssima apresentação em Recife contra o Náutico. Estamos aqui muito entusiasmados e eu tenho muita confiança no Flamengo, na nossa torcida e nossa equipe."
E, como não podia deixar de ser, as inoportunas declarações do cartola provocaram reações imediatas em seus rivais. O diretor de futebol do São Paulo, João Paulo de Jesus Lopes, foi irônico:
"Só esqueceram de avisar aos russos, como diria o Garrincha." (Essa foi ótima!)
Enquanto isso, o assessor de futebol do Grêmio, André Krieger, adotou linha parecida:
"Importante isso. Assim como eles prepararam a festa na Libertadores para a despedida do Joel Santana. É bom que pensem assim. Isso motivará os adversários."
Essa declaração de Márcio Braga era tudo o que o Flamengo não precisava agora. Quatro pontos abaixo de Palmeiras e Grêmio, o time carioca ainda não depende de seus próprios resultados para ser campeão. Além disso, como disse o assessor gremista, esse é o tipo de provoção que só irrita e motiva os próximos desafiantes. Em 2005, me lembro de Márcio declarando que não conhecia Tevez antes de um Flamengo X Corinthians. A brincadeira de mau gosto resultou numa apresentação acima da média do argentino com vitória do time paulista.
Tem gente que não aprende com os próprios erros...
Estadão Márcio Braga: Declarações inoportunas que podem prejudicar o Flamengo.
Graças ao bom nível dos participantes deste quadro, resolvi aumentar um pouco o grau de dificuldade.
Quem é o jogador em destaque abaixo e que clube ele defendia na época?
http://news.bbc.co.uk
Dica: Atuou em quase todas grandes ligas da Europa.
Anterior:
Qual brasileiro citado abaixo NUNCA venceu a Liga dos Campeões da Europa?
a) Casagrande. b) Evaristo de Macedo. c) Didi. d) José Altafini (Mazzola)
Resposta: Casagrande foi campeão europeu pelo Porto em 1987. Didi foi bicampeão em 1959/60 pelo Real Madrid. Por sua vez, José Altafini venceu a competição pelo Milan em 63. Portanto, o único brasileiro citado que não venceu a Liga dos Campeões é Evaristo de Macedo que defendeu o Real Madrid entre 62 e 65, período no qual os Merengues não conquistaram a LC.
Parabéns aos acertadores Cyntia, Yuri, Repolho e Rodolfo Moura.
Lance! Evaristo, que defendeu Madrid e Barça, não venceu a LC.