Espaço destinado a comentar um assunto que é interessantíssimo para alguns, mas considerado por muitos, aborrecedor ou até mesmo difícil de ser assimilado, mas que sem o mínimo conhecimento dessa arte, o futebol não pode ser compreendido em sua totalidade.
Morte ao Professor Pardal!
Não deixa de ser curioso que logo na Europa, palco onde desfilam as equipes mais ricas e planejadas do planeta, os times apresentarem em campo formações mais fixas e tradicionais. Logo no Velho Mundo, onde há uma pré-temporada consideravelmente grande, tempo para se planificar diversos esquemas, onde os clubes têm condições de contratar os jogadores ideais para possíveis variações táticas e onde não há tanto risco de se perder uma peça importante durante o campeonato.
Nas equipes européias existe pouca variação tática e os esquemas são conhecidos por todos. Sempre que há uma modificação, há um período para que se treine essa mudança. Quando escalamos os times mais famosos, podemos informar ao mesmo tempo a maneira como jogam. Isso é bom para o treinador, que está seguro do que faz, para os jogadores que dispõem do tempo necessário para se encaixarem na função, para a imprensa esportiva e torcedores.
Na contramão disso, temos os técnicos brasileiros. Logo aqui, onde muitos jogadores deixam o campeonato durante o seu andamento. Onde a pré-temporada é mais curta e nem todos os reforços chegaram. Onde os treinadores têm o seu cargo sempre em risco é onde mais se prolifera o chamado “Professor Pardal” (alcunha que se refere àquele técnico que sempre procura inventar algo novo, mas que, em geral, não é urgente sua formação tática).
É um tal de volante que vira zagueiro e de zagueiro que vira lateral que eu não agüento. Não bastassem os volantes apenas marcadores que estão em campo quase que apenas para cobrir a subida do lateral, agora é o ala é quem vai para o meio e abre o corredor para o zagueiro subir. Em geral, os resultados dessas incursões ofensivas dos defensores são chutes e/ou cruzamentos pífios e rombos na própria defesa.
A razão principal de todas essas mudanças é confundir o treinador e o time adversário. Impedir que ele saiba o que esperar em campo, mesmo que para isso seus jogadores estejam dispostos de uma maneira em que não se sentem à vontade ou plenamente adaptados. Mauro Beting disse uma vez que os jogadores brasileiros estão entre os indisciplinados taticamente do mundo e eu concordo. Aqui é a terra dos laterais que acham que são pontas, dos meias e atacantes convictos de que não tem que marcar e onde há pouca predisposição ao rápido fechamento dos espaços.
Por sua vez, o comentarista Paulo Calçade, especialista em tática, costuma dizer que, ao contrário da Europa onde os esquemas estão sempre bem definidos, aqui no Brasil é necessário um tempo para que o analista entenda o que o técnico planejou para sua equipe. As únicas vantagens que eu vejo nessa iniciativa é ludibriar o adversário e explorar seus possíveis pontos fracos. Em contrapartida, corre-se o risco de quebrar o equilíbrio do time e expor sua defesa ao ataque rival.
No fim, acho que mais se perde do que se ganha com essa desorganização. Só que, infelizmente, o objetivo principal do Professor Pardal não é a construção de um time, mas manter o seu emprego pelo maior número possível de rodadas.
Lance
Adílson Baptista (foto) e Caio Júnior são pardais natos.
Aquele lance ou momento que você, por um motivo ou outro, nunca esqueceu.
O ‘scudetto’ da temporada 1999/2000 foi conquistado pela Lazio de forma magnífica. Sonhando com a mesma glória, a Roma, sua arquirival, montou uma equipe capaz de repetir o feito. Comandados por Fabio Capello e dispondo de estrelas do calibre de Totti, Emerson e Batistuta, os ‘Giallorossi’ atingiram seu objetivo logo no ano seguinte. Em 17 de dezembro de 2000, ainda primeiro turno, foi disputado o primeiro derby do certame. No placar, 1 a 0 para a Roma, mas o lance que ficou na memória de todos que assistiram ao embate foi outro...
Você conhece alguma história interessante sobre o mundo da bola? Mande-a para meu e-mail: a4l@bol.com.br colocando no assunto: 'Lembra desse?!' e ela pode ser publicada aqui!
Chegou ao fim o sonho dourado do futebol masculino brasileiro nos Jogos Olímpicos. Agora, assim como em todas as grandes derrotas é hora de imprensa e torcida apontarem os seus culpados por mais esse fracasso.
Do lado da imprensa, a revolta pode vir de inúmeras formas: Na torcida contra de Caio Maia (Trivela), no mau-humor de Mauro Cezar Pereira (ESPN) ou nos tiros para todos os lados como João Ricardo (Gazeta Esportiva).
Pelo lado torcedor, chega a ser meio maluco ouvir pessoas que não assistiram à partida (ou nem a campanha) dizerem que essa geração não tem talento e que está tudo errado. Nada mais torcedor...
Todos esses críticos não deixam de ter sua razão em alguns pontos, mas em outros a revolta manifestada revela apenas aquela velha conversa que ressurge a cada derrota mais dolorida: a procura de um culpado.
Que não se entenda aqui uma defesa de Dunga. Não é isso. Sempre fui contra a utilização ex-jogadores ainda jovens e inexperientes no comando técnico de seleções principais. E isso vale para Dunga, para Donadoni ou para Van Basten. O cargo de treinador de uma seleção deve ser ocupado por alguém que tenha muita experiência e, sobretudo, competência para a ocupação do posto.
No caso específico do Brasil, nem acho que Dunga errou tanto assim. Sua lista de convocados era quase unanimidade. Seu esquema, embora cauteloso, tinha sim um desenho tático e algumas outras ações interessantes. Parte do problema está na hora da identificação dos erros durante e depois das partidas, tanto nos Jogos quanto nas Eliminatórias. Para se tomar a providência certa é preciso mais do que ter sido capitão e líder de um selecionado por vários anos. Outro problema dessa equipe sub-23 é tocar a bola sem objetividade.
Só que ainda vejo pontos positivos como os três volantes que sabem jogar e o lateral Marcelo que, apesar de muito jovem, promete muito. Aliás, uma questão envolve justamente o lateral do Real Madrid. Fazendo dupla com Ronaldinho na esquerda, ele freqüentemente era lançado na ponta e nunca havia alguém para completar a jogada na área. Outra questão era ver que o camisa 10 recuava para armar o jogo deixando sempre o centroavante perdido entre os zagueiros. E como Rafael Sóbis não é bem um centroavante, o esquema virava praticamente um 4-6-0.
É muito provável que a demissão da atual comissão técnica brasileira aconteça logo. Se não for depois da disputa pelo bronze, deve acontecer dentro de pouco tempo. Pode até ser um pouco tarde para Ricardo Teixeira reparar o seu erro. Mas ainda há tempo.
Antes do Mundial de 2006, numa típica pergunta de quem tem pouco a dizer, um repórter brasileiro indagou o diretor-técnico da seleção alemã, Oliver Bierhoff, sobre qual jogador brasileiro ele escolheria, se pudesse, para defender a Alemanha na Copa. Na oportunidade, o ex-atacante optou por:
a) Ronaldinho Gaúcho b) Kaká c) Zé Roberto d) Lúcio
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Quem é o jogador do River Plate retratado abaixo e que taça ele ergue?
O jogador acima é Enzo Francescoli, grande atacante uruguaio e uma das últimas referências vencedoras do futebol de seu país. Revelado pelo Montevidéu Wanderers, consagrou-se no River Plate onde foi pentacampeão argentino em suas duas passagens pelo clube. Na foto acima, El Príncipe, como era chamado, ergue a Taça Libertadores da América de 1996. Na final do Mundial Interclubes disputada no mesmo ano, enfrentou e foi derrotado pelo seu fã mais conhecido: o meia francês ZinedineZidane. Idolatria essa, nascida dos tempos em que defendeu o Olympique de Marselha, clube do coração de Zizou. Pelo selecionado celeste, conquistou três vezes a Copa América (83, 87 e 95). Hoje, seu nome figura entre as grandes lendas do futebol mundial.
Parabéns aos acertadores da semana: Cyntia, Luciano e Leonardo.
Adidas.com
Enzo Francescoli foi a inspiração do maestro Zidane.
Quando insistiu em ser negociado pelo Santos em 2005, Robinho se recusou a treinar sob a alegação de que o presidente do clube, Marcelo Teixeira, havia prometido negociá-lo caso houvesse uma boa proposta vinda do exterior. Na ocasião, o Real Madrid acenava com uma oferta de 25 milhões de euros, mas que era considerada baixa para as pretensões santistas.
Sem se importar se havia ou não um contrato assinado por ele, o atacante desapareceu da Vila. Depois de uma longa negociação, a novela acabou com um final “feliz” e os merengues foram apresentados ao seu novo camisa 10.
Três anos depois a história se repete. Se dizendo magoado por ter sido envolvido na proposta feita ao Manchester United por Cristiano Ronaldo e se sentindo desprestigiado no clube, Robinho diz que quer rumar para o Chelsea que teria lhe oferecido um contrato melhor. Para ficar, cobra que seu clube atual dobre os seus vencimentos. E reforçando o pedido, seu empresário Wágner Ribeiro veio a público dizer que o novo comandante da equipe londrina, o também brasileiro Luiz Felipe Scolari, liga todos os dias para o jogador dizendo que deseja contar como ele nos “Blues”. Só que o agente não contava com o pronto desmentido de Scolari que alegou que nunca pediu diretamente a Robinho que se transferisse para Londres.
Agora, com uma carta a menos na manga, a descontente dupla ressurge com a velha ameaça de não entrar em campo. Mas, como o Real Madrid não é o Santos, chamou o jovem e informou-o através do treinador Bernd Schuster e do diretor Predrag Mijatović que ele faz parte dos planos do clube e que estava relacionado para a partida contra o Valencia pela Supercopa da Espanha. O recado foi dado e Robinho prometeu não só jogar, mas marcar dois gols. Todavia, em campo, o “Rei das Pedaladas” não pareceu nem um pouco estar a fim de jogo e depois de um primeiro tempo melancólico foi substituído por Robben.
Seria corpo mole?
AFP
Antes de se tornar um craque, Robinho deveria aprender a ser profissional.
Uma das maiores qualidades de Luiz Felipe Scolari como treinador é se adaptar ao estilo e às necessidades técnicas e táticas das equipes que comanda. Conheci o seu trabalho no Grêmio e logo notei que ali havia um treinador diferenciado. Ele era muito mais do que um treinador que mandava dar pancada e que jogava bolas no campo para atrasar uma partida. Era um comandante que sacrificava seu grupo e a si mesmo na busca pelo resultado.
No Grêmio, destacava Jardel como referência de seu ataque e com suas testadas certeiras garantiu o segundo título continental dos tricolores. Nesta fase, era mais Felipão do que nunca e não se intimidava em ordenar que seus marcadores apelassem para a violência quando tinham pela frente um adversário mais habilidoso.
Em 1999, no Palmeiras, para desespero dos que queriam a volta da Academia, “clonou” sua antiga equipe e municiou o centroavante Oséas com os cruzamentos precisos de Arce. Vale lembrar que aquela equipe, que também conquistou a Libertadores, tinha muito talento nos pés de Alex, Zinho e Júnior.
Quando chegou à Seleção Brasileira vindo do Cruzeiro, todos pensavam que haveria outra “clonagem” do mesmo estilo de jogo e que o centroavante da vez seria o voluntarioso Luizão. Foi então que o técnico gaúcho mostrou que era capaz de fazer diferente. Reunindo atletas de sua confiança, ignorou o apelo nacional pelo veterano Romário e acreditou que Ronaldo poderia ser o homem-chave na Copa. Além disso, contra todos os especialistas, apostou no esquema 3-4-2-1, pois acreditava que os laterais Cafu e Roberto Carlos não poderiam apoiar ao mesmo tempo sem a devida proteção. No sistema ofensivo, bancou Ronaldinho Gaúcho e deu confiança a Rivaldo, deixando-o livre para ser a pedra angular da equipe. Uma ousadia premiada com o título mundial.
No seu trabalho seguinte como selecionador de Portugal, valorizou o estilo lusitano de jogar ao manter a equipe que tradicionalmente joga com dois pontas. Em certa oportunidade, disse que o segredo de seu sucesso à frente da “Seleção da Quinas” era valorizar o que o país tinha de bom, aproveitando não apenas o modo de jogar como diversos portugueses em sua comissão técnica. Alguns chegaram a dizer que aquilo era uma indireta para Vanderlei Luxemburgo que, ao aportar no Real Madrid, tentou enfiar seu estilo goela abaixo dos espanhóis, algo que não agradou muito tanto a diretoria, quanto torcedores e imprensa.
Agora, no Chelsea, o camaleão Scolari tentará fazer algo ainda mais difícil. Já que além de conquistar a Liga dos Campeões, o mandatário Roman Abramovich quer que o seu time dê espetáculo. Se isso é possível eu não sei, mas escalar num mesmo meio-campo Lampard, Ballack e Deco é a prova de seu desejo de ter em mãos uma equipe que ambiciona manter a posse de bola e dominar o adversário. Na partida de hoje contra o Portsmouth, Felipão mostrou ao mundo outra face. Anulou seu adversário e viu sua equipe trocar passes de uma maneira incomum tanto para os “Blues” quanto para os times que comandou no passado. Algo bem perto do que sonha o bilionário russo.
Alguém duvida de que ele seja capaz de realizar mais essa transformação?
AFP
A única coisa que não muda é o jeito à beira do campo...