Espaço destinado a comentar um assunto que é interessantíssimo para alguns, mas considerado por muitos, aborrecedor ou até mesmo difícil de ser assimilado, mas que sem o mínimo conhecimento dessa arte, o futebol não pode ser compreendido em sua totalidade.
Nesta semana, uma seleção que, mesmo campeã do mundo, ainda é amada e odiada em seu país.
A Seleção Brasileira de 94.
24 anos sem vencer uma Copa do Mundo é algo pesado para qualquer seleção que se considere grande, mas para a Seleção Brasileira já estava se tornando um verdadeiro calvário.
Tentando acabar com essa maldição, o pragmático técnico Carlos Alberto Parreira preferiu não arriscar. Montou uma equipe baseada na defesa e que não tinha vergonha de entrar em campo com o intuito de também marcar forte o adversário.
E objetivando esmiuçar a formação tática daquela equipe, faz-se necessário primeiro corrigir um dos grandes equívocos sobre o posicionamento dos brasileiros em campo. O Brasil de 94 NÃO jogava num 4-4-2 com dois volantes e dois armadores como pensa a maioria e como alguns desenhos táticos da época se referiram. Algumas pistas levam a crer que o time variava entre o 4-3-1-2 e o 3-5-2. Sendo que este último nunca seria admitido pela comissão técnica, já que para a imprensa esportiva daqui, sua utilização teria sido uma das razões para a derrota de quatro anos antes, na Itália.
O esquema:
No início, Parreira imaginou o onze inicial com (4-3-1-2) Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga e Zinho; Raí; Bebeto e Romário. Seria até um esquema muito contido se não fosse o sinal verde para os laterais se lançarem ao ataque o tempo todo, o que fez o comandante holândes Dick Advocaat, nosso adversário nas quartas-de-final da competição, dizer que, para ele, o Brasil jogava com quatro atacantes e que nossos laterais eram quase como pontas.
Mas, com a má fase de Raí, o desenho inicial se modificou um pouco com Mazinho entrando em sua vaga no meio-campo, só que sem as mesmas características do ex-jogador do PSG. Com Mazinho, o time tinha mais toque de bola e mais marcação, perdendo (muito) em chegada ao ataque e finalização. Assim, o desenho voltava para o 4-4-2, com praticamente quatro volantes em campo! Sim, Zinho também era volante como revelou o zagueiro Aldair alguns anos depois: “O Zinho tinha a mesma função que o Dunga no esquema.” Ambos jogavam marcando no meio, liberando e cobrindo a subida dos alas. Isso também explica o porquê do meia armador do Palmeiras ter recebido o apelido de “enceradeira” (pois rodava, rodava e não saía do lugar). Achincalhado por todos, ainda tentou se defender: “Eu até gostaria de atacar mais, só que Parreira não deixa!” Claro que não deixava. Ele era o volante pela esquerda. Nas cabeças de Parreira e de seu coordenador Zagallo, quem tinha que chegar ao ataque era Leonardo, que deveria chegar à linha de fundo sempre, apoiado pela tese defendida pelo treinador e repetida para quem quisesse ouvir: “metade dos gols do futebol mundial saem pelas laterais”.
Outra função pouco comentada na época era o posicionamento real do volante Mauro Silva. Volante ou líbero? Pergunto eu. Na maioria das vezes o “Tanque” era visto ao lado dos zagueiros e, contra a Suécia, atrás deles, ficando na sobra do combate direto da nossa dupla de zaga. Pouca gente notou, mas ali estava explícito o 3-5-2 tão execrado em 1990.
De fato, a única coisa que não se alterou foi o posicionamento de dupla Bebeto e Romário, responsável pela maioria dos gols marcados. O resto foi um grupo que se moldou de acordo com a necessidade que não era “só” vencer uma Copa do Mundo. Era vencer uma maldição que perdurou por longos 24 anos e que derrubou equipes lendárias como o Brasil de 82 que, para muita gente, merecia mais aquele título do que o time de 94. Mas essa é outra história...
Abaixo, os ‘highlights’ da semifinal entre Brasil e Suécia. Reparem no posicionamento de Mauro Silva que, em vários momentos, deixou claro sua função de líbero num autêntico 3-5-2. E, claro, vejam o gol que Mazinho perdeu. Meu Deus...
A bola parou de rolar nos grandes campeonatos europeus, exceto nos treinos de algumas equipes que já se preparam para a disputa da Intertoto e da Copa da UEFA. Com isso, ficamos limitados às especulações de mercado e alguns campeonatos menos importantes aqui e ali. No entanto, ainda vejo grandes qualidades num certo campeonato. Justamente naquele que é disputado em nosso território.
Embora considere que o futebol praticado aqui no Brasil é maltratado (sobretudo pela Globo) e mal gerenciado (pela CBF), passa longe de ser uma verdade absoluta essa história de que ele está nivelado por baixo e observações do tipo que aqui só jogam os veteranos, os garotos e os pernas-de-pau. Pois é deste campeonato que emerge grande parte dos jogadores que brilharão futuramente no Velho Continente, embora só se dê conta disso depois que esses atletas se firmam em algum clube conhecido do exterior.
Outro fator que torna o nosso campeonato interessante é a diversidade de clubes tradicionais que ambicionam alguma coisa além de participar de maneira honrosa. Só neste ano vejo Flamengo, Cruzeiro (se não desmanchar a sua base), Inter, São Paulo, Grêmio e Palmeiras com condições reais de sonhar com o título. Briga que em outras ligas costuma ficar limitada a três ou quatro participantes.
Sei que depois da Lei Bosman, da mudança nas cotas de estrangeiros por equipe na Europa e com a nova lei do passe, o êxodo de nossos melhores aumentou assustadoramente. Qualquer jogador, mesmo que mediano, tornou-se alvo de interesse de outros mercados, sejam eles mais ricos ou apenas mais organizados.
No entanto, o somatório de jovens valores com jogadores que foram e não se adaptaram ao estilo europeu (ou a qualquer outro fator) e retornaram, os veteranos, mais aqueles que não despertaram o interesse do mercado externo, ainda dão uma boa liga. O problema é que, geralmente, isso só é valorizado alguns ou muitos anos depois.
Sem muito esforço, posso citar vários esquadrões fortíssimos que surgiram por aqui desde meados dos anos 90:
- Palmeiras96. Uma verdadeira máquina mortífera. Cafu, Flávio Conceição e outros trabalhando para um quarteto formado por Djalminha, Rivaldo, Müller e Luizão. Um timaço que contava com Vanderlei Luxemburgo em sua segunda passagem pelo clube paulista.
- Vasco de 97 a 2000. Com Mauro Galvão, Felipe, Juninho Pernambucano e, sobretudo, Edmundo. Depois ainda receberam o reforço de Romário.
- Corinthians de 98 a 2000. Com as ordens de Luxemburgo e Oswaldo de Oliveira, o Timão chegou a contar como Dida, Gamarra, Edílson e Luizão. No meio-campo, quatro nomes de fazer inveja: Rincón, Vampeta, Ricardinho e Marcelinho.
- Palmeiras de 99. Sob o comando de Luís Felipe Scolari; Arce, Júnior, César Sampaio, Zinho e Alex fizeram um jogo memorável e, sobretudo, equilibrado diante do Manchester United da Tríplice Coroa.
- Santos de 2002. Um time que contava com Alex, Léo, Renato, Elano, Diego e Robinho. O que mais precisa ser dito?
- No mesmo ano, a equipe que mais pontuou na primeira fase do campeonato vencido pelos santistas foi o ótimo São Paulo de Rogério Ceni, Júlio Baptista, Kaká e Luís Fabiano.
- Cruzeiro de 2003. Novamente Luxemburgo montando uma máquina de fazer gols. Gomes, Maicon, Luizão, Edu Dracena e Leandro formavam a defesa. Na frente, Alex e Deivid faziam a festa. Recorde de pontos no Brasileirão.
- São Paulo de 2005. Uma equipe muito sólida. Ceni e Lugano lideravam a equipe que conquistou a América e o mundo. O Tricolor ainda contava como Cicinho, Mineiro, Josué, Ricardo Oliveira e Luizão (depois Amoroso).
- Internacional de 2005 e 2006. Montado inicialmente por Muricy Ramalho e posto à prova por Abel Braga, o Colorado daquele ano tocou o céu ao bater São Paulo e Barcelona. Em campo, nomes como Fabiano Eller, Bolívar, Tinga, Jorge Wágner, Alex, Fernandão, Rafael Sóbis e Alexandre Pato.
Todos esses times eram muito fortes e faziam frente a qualquer esquadra européia. Inclusive, alguns chegaram a protagonizar grandes duelos contra esses rivais e, mesmo quando perdiam, cumpriam bem o seu papel.
Claro que não vejo por aqui um Real Madrid, um Milan ou um Manchester United. Seria tolice dizer algo assim. Mas vejo equipes competitivas, que podem fazer frente, surpreender e até ganhar, sem que haja o chamado imponderável envolvido.
A pergunta de hoje não é tão fácil quanto a última. Quem é o jogador retratado abaixo?
Dica: Seu nome esteve em evidência após o fim da Euro 2008.
Question Anterior:
Segundo maior artilheiro da história do Boca Juniors, o argentino Martín Palermo, é mais conhecido aqui no Brasil por ter desperdiçado três penalidades numa só partida. Mas você se lembra quando, onde e contra quem essa “façanha” ocorreu?
Resposta correta: b) Foi na Copa América de 1999 e a seleção colombiana foi a equipe que se safou.
Apesar desse momento negativo com a Seleção Argentina, Martín Palermo sempre apresentou vocação goleadora e hoje soma 193 gols em 303 partidas com o manto azul e amarelo do Boca Juniors.
Parabéns aos acertadores da semana: Cyntia (aquela que não desiste nunca!), Leonardo (sempre com suas participações excêntricas) e Thiago Rocha (um novo e talentoso amigo).
Bom, como eu não posso pecar pela omissão, abaixo se encontra o vídeo com os fatídicos lances. E que ninguém diga que o cara não tem personalidade...
Aquele lance ou momento que você, por um motivo ou outro, nunca se esqueceu.
A partida entre Corinthians e Real Madrid pelo Mundial de Clubes da FIFA realizado em 2000 aqui no Brasil foi um autêntico jogaço. Teve de tudo: provocação, dribles desconcertantes, golaço, pênalti defendido. Tudo o que um cotejo precisa para ficar gravado na mente das pessoas. Mas pena que não seja assim. Devido aos erros (leia-se arranjos políticos) na organização da competição, esse torneio é até hoje visto como um fracasso por grande parte da mídia e mesmo do público que acompanhou o evento.
Mas o que pouca gente diz, é que esse campeonato teve bons jogos e grandes momentos. O vídeo a seguir mostra um deles.
Triste, admito, é a narração...
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