Até a bondade tem seus limites.
O que Pepe, Deco e Marcos Senna têm em comum além do fato de serem jogadores brasileiros que defendem seleções de outros países?
Todos têm, hoje, condições de vestir a camisa verde-amarela da Seleção Brasileira como titulares ou reservas. Listando todos os zagueiros que tem sido convocados por Dunga, vejo Pepe como substituto para uma eventual ausência de Lúcio. No meio-campo, Marcos Senna seria o nome ideal para ser o ‘starter’ do toque de bola que hoje se apresenta deficitário e ainda daria suporte à defesa. Mais à frente, Deco funcionaria como regente central da equipe e não vejo ninguém em melhores condições que esses dois para assumir a titularidade no meio.
Mas, como sabemos isso é impossível atualmente, já que defenderam Portugal e Espanha em partidas e competições oficiais. Sem muito esforço, posso citar pelo menos dez jogadores que atuam ou atuaram recentemente em suas posições na Seleção e que nunca desempenharam seus papéis de maneira verdadeiramente satisfatória. Enquanto isso, tanto o volante, quanto o armador, nunca foram observados com a devida atenção.
Lembro-me de quando Deco explodiu no Porto. Em 2002, Felipão já acenava com a possibilidade de levá-lo ao Mundial daquele ano. Na oportunidade, preferiu Kaká e Ricardinho (que substituiu o lesionado Emerson). Tudo bem. Pensei na época. Mas logo que assumiu a Seleção Portuguesa, Scolari tratou de convocar o ex-corintiano e barrou o ídolo Rui Costa. Até hoje me pergunto se o treinador gaúcho não fez isso de propósito, visto que logo assumiria o comando da esquadra lusitana.
O caso de Senna é um pouco diferente. De estilo discreto, era necessário um olhar mais apurado para descobrir sua grande utilidade. Um olhar que o técnico Luis Aragonés – mesmo tachado de racista - teve ao observar seu bom desempenho no Villarreal para em seguida transformá-lo em seu homem de confiança na ‘Fúria’.
E o mesmo pode acontecer em breve com outros jogadores brasileiros. Amauri logo deverá ser convidado por Marcello Lippi a utilizar o fardamento azul da Itália. Além dele, o goleiro Gomes (que acaba de se transferir para o inglês Tottenham), sem chances com Dunga, já admitiu publicamente o desejo de defender a Holanda tão logo seja possível. E o seu companheiro de ofício, o ex-palmeirense Diego Cavalieri que acaba de ser contratado pelo Liverpool, pode agora sonhar com a possibilidade de um dia defender a meta do ‘English Team’, afinal, faltam bons concorrentes.
Outra coisa que me preocupa é o aproveitamento de jovens brasileiros nas categorias menores de seleções estrangeiras. O que deve ser cada vez mais normal, dado o enorme êxodo de garotos tentando a sorte no exterior. Citando alguns exemplos, temos o atacante naturalizado croata Eduardo da Silva que chegou ao Arsenal sem nunca ter passado por um clube conhecido no Brasil, o filho mais velho do ex-jogador Mazinho que já defende a Espanha sub-17 e o zagueiro Douglas, destaque do Twente na última temporada, e que foi descrito por Frank De Boer como sendo o novo Desailly. Em cada caso, um exemplo de como as coisas fugiram ao controle da CBF e por que não dizer de nossa própria legislação esportiva.
Não se trata de uma crítica às pessoas que almejam melhorar de vida. É uma crítica às comissões técnicas de todas as categorias da Seleção Brasileira, que parecem não ter o mínimo de informação sobre o que se passa com nossos jogadores que atuam fora do país e que não tem grande projeção na mídia. Um trabalho relativamente simples dado as facilidades que a tecnologia oferece.
Afinal, uma coisa é ver Roger Guerreiro envergando a camisa da Polônia na recém-encerrada Eurocopa. Para os padrões brasileiros, Roger era (e ainda é) um jogador apenas esforçado. O mesmo se aplica ao ‘tunisiano’ Francileudo dos Santos, ao ‘japonês’ Wagner Lopes e ao famoso ‘belga’ Oliveira. Para eles, era naturalização ou nada. Outra coisa bem diferente é ver Pepe, Marcos Senna, Deco e Eduardo da Silva e quem sabe Gomes, Cavalieri e Amauri jogando por outras bandeiras. Permitir uma coisa assim é bondade demais para o meu gosto. Ou seria burrice e incompetência demais?
Gazeta Press
Marcos Senna: Campeão e destaque com a Espanha.
Escrito por Michel Costa às 17h38
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Do céu ao inferno.
As duas últimas quartas-feiras foram as mais importantes datas dos quase 106 anos de história do Fluminense. E talvez bastasse um pouco mais de planejamento e um pouco menos de prepotência para que tudo caminhasse da maneira desejada, ou seja, com a Taça Libertadores da América indo para as Laranjeiras.
Depois de eliminar São Paulo e Boca Juniors, os dois maiores favoritos ao título, o que seria da miserável LDU? Se o imperador Adriano e o maestro Riquelme tinham ficado pelo caminho o que poderiam fazer o quase desconhecido Guerrón e seus companheiros? Muito. Para quem acompanhou a trajetória do clube equatoriano no torneio continental e viu do que eles eram capazes.
Só que Renato Gaúcho não tinha tempo para pensar no seu adversário. Talvez estivesse mais interessado em bolar mais uma frase de impacto para irritar rivais ou para tentar desqualificar o outro finalista.
Bom, deu no que deu. Com a derrota vieram as gozações e o escárnio. Só que, pior do isso, veio a realidade. Que, sem fugir à regra, é nua e crua. Hoje, o tricolor ocupa a lanterna do Campeonato Brasileiro e precisa reunir suas forças rapidamente se quiser se recuperar. Como havia dito num post anterior, trata-se de um campeonato equilibrado e os pontos perdidos nesse ínicio - quando a competição nacional foi deixada completamente de lado - podem (e devem) fazer falta.
E, como desgraça pouca é bobagem, surgiu a notícia de que a maior parte da renda da partida de ontem foi penhorada para o pagamento de uma dívida do clube com Branco (atual dirigente do clube). Dívida esta originada de uma apropriação indébita (e aí vai certo eufemismo) cometida pelos próprios cartolas do clube em 1994, quando o ex-lateral-esquerdo lá atuava, mas recebia da CBF. Uma história muito mal contada e que ainda deve dar o que falar.
Além disso, alguns jogadores importantes do elenco como Thiago Silva, Thiago Neves e Dodô, sem a possibilidade de disputar o Mundial de Clubes, já sinalizaram com a possibilidade de suas saídas, o que pode enfraquecer o time numa hora tão importante.
Sinceramente, não aconselharia o técnico Renato Gaúcho e seus comandados brincarem no Brasileirão como o próprio treinador chegou a sugerir que faria. Afinal, abaixo da 20ª posição da tabela ainda existe alguma coisa da qual a equipe carioca não deve guardar boas recordações.
Reuters

A torcida da LDU explode de alegria: É o primeiro título continental do país.
Escrito por Michel Costa às 22h37
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Question
Segundo maior artilheiro da história do Boca Juniors, o argentino Martín Palermo, é mais conhecido aqui no Brasil por ter desperdiçado três penalidades numa só partida. Mas você se lembra quando, onde e contra quem essa “façanha” ocorreu?
a) Foi em 2003, quando, atuando pelo Boca, perdeu três pênaltis contra o Paysandu.
b) Foi na Copa América de 1999 e a seleção colombiana foi a equipe que se safou.
c) Sim, foi na Copa America de 99, mas o adversário foi o Uruguai.
d) Na verdade, o recorde negativo ocorreu durante a Copa das Confederações de 97, em partida contra a Austrália, que acabou fazendo a final daquele torneio contra o Brasil.
Question - Euro 2008
Quem é o jogador em destaque?
http://news.bbc.co.uk
 Dica: Trata-se do maior ídolo da história de seu clube.
Resposta: O jogador em destaque é o atacante italiano Luigi ‘Gigi’ Riva. Maior ídolo da história do Cagliari, equipe pela qual foi três vezes artilheiro da Serie A e campeão na temporada 1969/70. Seu amor pela equipe da Sardenha era tanto que chegou a ser presidente do clube durante os anos 80.
Pela ‘Squadra Azzurra’, o canhoto Riva conquistou a Eurocopa de 68 e foi vice-campeão da Copa de 70, disputada no México.
Congratulações aos acertadores da semana: Brahma e Cyntia.
“A Gigi Riva Il piede destro serve solo a salire sul tram” (Manlio Scopigno, técnico do Cagliari 1969/70)
Escrito por Michel Costa às 23h01
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E os espanhóis acreditaram...
No post da última sexta-feira escrevi que para começarem a vencer o desafio que era conquistar essa Euro, os espanhóis precisariam dar seu primeiro passo antes mesmo da bola rolar, aceitando em suas mentes que os títulos da Alemanha não entrariam em campo. E que, na bola, eu era (e ainda sou) mais Espanha.
A questão física, que me preocupava, também parece ter ficado de lado. Inclusive, foi a seleção alemã que pareceu sentir mais o efeito dessa maratona de jogos. Terminaram o jogo em frangalhos, sem forças para reagir.
Em campo, a Espanha começou um pouco retraída, mas quando se soltou fez prevalecer sua melhor qualidade técnica sobre a força física dos tedescos. Antes dessa Euro começar cheguei a dizer que não havia uma grande seleção no mundo e com a dificuldade apresentada pelos ibéricos para definir logo a partida mesmo com a Alemanha quase implorando para levar o segundo gol ainda acho que não há. Mas com certeza a ‘Fúria’ apresenta o melhor esboço.
Com o fim desta Eurocopa, tive uma certeza: O torneio que se encerrou foi melhor do que a última Copa do Mundo, marcada por forte defensivismo e pouco futebol. Na recém-encerrada competição, vimos partidas mais abertas e interessantes, onde jogar bem também era importante. E a campeã Espanha sintetizou isso claramente ao aliar boa técnica com grande disciplina tática, apesar da pouca coragem na hora de decidir. No fim, foi uma vitória do futebol como bem disse Fernando Torres na coletiva concedida após a partida.
Como já é de praxe aqui no blog, aí vai a minha Seleção da Euro 2008:
Casillas; Sergio Ramos, Metzelder, Chiellini e van Bronckhorst; Marcos Senna, Ballack, Sneijder e Modric; Villa e Arshavin.
E então? Já escolheu a sua?
EFE

Casillas ergue a ‘Henri-Delaunay’. Ao fundo, uma geração promissora.
Escrito por Michel Costa às 20h18
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A Taça do Mundo é nossa!
Entre os cinco títulos mundiais que o Brasil possui, considero o de 1958 o mais importante. Sim, por que só a partir do primeiro passo é que se pode dar outros. E essa conquista na Suécia foi o ponto de partida para que o Brasil se tornasse verdadeiramente uma potência do futebol. Inclusive, ela foi fundamental para que chutássemos (pelo menos em nossa maioria) de vez aquela famosa “Síndrome de Vira-Latas” para escanteio.
Embora os pessimistas sempre citem o futebol apenas como uma distração para que o povo se esqueça de suas mazelas e não encare de frente os problemas vividos por nosso país, eu tenho uma visão diferente, vendo o futebol como algo muito além de uma distração barata. Vejo como um esporte em constante evolução, que nos ensina coisas novas a cada momento e prova que até as situações mais terríveis podem oferecer uma solução desde que se lute por ela.
Mesmo lembrando que a partir de 1958, o futebol tenha sido usado por aqui de maneira bem pouco honesta - como durante a Ditadura Militar - não é possível negar o bem que esse esporte fez e faz para nossa população em forma de saúde, lazer, cultura e entretenimento. Hoje, o futebol é algo enraizado em nossa cultura, algo indissociável quando se pensa em Brasil mundo afora. E não deveríamos nunca nos envergonhar disso.
Voltando ao Mundial de 58, não deixa de ser curioso como aquela versão da Seleção Brasileira cativou o mundo com algo novo e ao mesmo tempo espetacular. Imagine a reação de todos que viram o surgimento de um garoto de apenas 17 anos jogando o absurdo que Pelé jogava? Deve ter sido algo inexplicável para eles. E Garrincha? Entortando marcadores como se aquilo fosse a coisa mais fácil do mundo? Até hoje emociona.

Garrincha e seus cortes imparáveis.
Não é por acaso que a formação clássica daquele time (Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo) é conhecida em todo mundo. Em alguns lugares, como na França, essa escalação é ainda mais popular do que no Brasil. E aí vai uma crítica a nossa famosa falta de memória que afeta até o que nós temos de melhor e de histórico.

O trio de ouro: Garrincha, Didi e Pelé.
Parabéns por essa conquista, Brasil!
O site Globoesporte.com disponibiliza em forma de blog a cobertura do Mundial de 58. Uma autêntica viagem no tempo. Vale a pena conferir.
Escrito por Michel Costa às 14h41
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