A segunda equipe a figurar na série Grandes Times da História provou que, quando se acredita em algo, tudo é possível.
Manchester United 99
Ganhar a 'Tríplice Coroa' européia é uma glória difícil de ser alcançada. No ‘Velho Continente’ poucos clubes podem se orgulhar desse feito. Celtic, Ajax e PSV já realizaram a proeza. Entretanto, dentro das grandes ligas, só uma equipe cumpriu essa meta: O Manchester United na temporada 1998/9.
Abrilhantando ainda mais essa conquista, lembremos que a 'Tríplice Coroa' deu-se há menos de dez anos, ou seja, a Premier League já estava aditivada com inúmeros e talentosos estrangeiros e a UEFA Champions League reunia outros grandes times além dos campeões de cada país.
Foi nesse cenário que os 'Red Devils' fizeram história. Primeiro, os comandados de Sir Alex Ferguson conquistaram a FA Cup. O título nacional chegou apenas na última rodada, após uma vitória sobre o Tottenham. O vice-campeonato daquele ano ficou com o Arsenal, que ficou a um ponto de diferença.
Formação Clássica:
O onze inicial mais conhecido é: Peter Schmeichel; Gary Neville, Jaap Stam, Ronny Johnsen e Denis Irwin; David Beckham, Roy Keane, Paul Scholes e Ryan Giggs; Andy Cole e Dwight Yorke. Atuando num 4-4-2 clássico, era bastante comum vermos a chegada dos meias ao ataque marcando seus gols. Aliás, a grande força daquele time residia justamente no meio-campo. Curiosamente, o quarteto central da equipe apresentava características consideravelmente distintas.
Beckham, o meia aberto pela direita, era basicamente o lançador do time. Mas, longe de ser um passador qualquer, era (e ainda é) capaz de colocar a bola onde bem entendia, criando boa parte das manobras ofensivas da equipe. É importante frisar também que, na época, o ‘Spiceboy’ ainda tinha no futebol o seu maior foco.
Como escrevi anteriormente, a meia cancha dos Diabos Vermelhos formava uma linha de quatro homens, mas se havia alguém que atuava mais recuado esse alguém era o irlandês Keane. Marcador implacável, freqüentemente o volante era visto à frente da defesa, equilibrando e dosando a verve atacante do United. Verdadeiro comandante dentro de campo, recentemente foi escolhido por Sir Alex Ferguson o melhor atleta a ter atuado sob suas ordens.
Scholes era o chamado motorzinho. Incansável, o baixinho ruivo marcava, armava e atacava com a mesma tenacidade.
E, pela esquerda, havia Giggs. Ponta esquerda de nascimento, o galês era uma verdadeira flecha. Sua maior qualidade era a capacidade de conduzir a bola com a mesma velocidade que corria. Outra vantagem eram seus dribles eficazes que saiam ora para a direita, ora para a esquerda.
No fim, essa combinação de habilidades díspares formava uma linha central quase perfeita, responsável direta pelo sucesso do time.
Mas, apesar do maior brilho estar no meio, a defesa também era confiável.
Na meta, o experiente goleiro Schmeichel era o capitão e a voz que se fazia ouvir dentro de campo. Com grande presença no gramado, foi considerado durante muitos anos um dos melhores arqueiros da Europa.
Na zaga, o maior destaque era, indubitavelmente, o holandês Stam. Verdadeira muralha era garantia de solidez defensiva. Enquanto isso, seu companheiro de setor, o central norueguês Johnsen e os laterais de postura mais conservadora, Neville e Irwin, auxiliavam no fechamento da retaguarda.
Por último, mas não menos importante, o ataque. Titulares da grande campanha, a dupla Cole e Yorke tinha um entrosamento quase telepático. Eram capazes de executar tabelas em altíssima velocidade rompendo qualquer planejamento adversário.
Na amarração desses compartimentos havia um homem talhado para o cargo. Sir Alex Ferguson, manager desde 1986 e até hoje ocupante do posto, é o grande responsável pelo futebol praticado pelo United. Preza o jogo ofensivo, vertical e eficiente. Não por acaso, uma frase foi cunhada durante a gestão Ferguson: “Futebol é um jogo de noventa minutos onde no final o Manchester United ganha.” Exagerada, menos em 1998/9.
Se havia um defeito naquela esquadra, este se encontrava no banco de reservas escasso. Talvez Teddy Sheringham e Ole Gunnar Solskjaer fossem grandes opções, mas o restante do plantel era apenas razoável.
Aliás, esse senão do grupo, pôde ser observado na partida mais importante daquela temporada, diante do poderoso Bayern de Munique. Sem poder contar com Keane e Scholes, houve a necessidade de uma mudança radical na formação mediana do time. Beckham, que normalmente jogava aberto pelo flanco direito, foi deslocado para o centro, voltando-se mais para a armação, enquanto o volante Nicky Butt se encarregava mais da marcação. Sem o seu camisa 7 na destra, Ferguson ousou. Trocou Giggs de lado e na sua vaga escalou o sueco Jesper Blomqvist. Assim, remendados, os ‘Red Devils’ partiram para o seu maior desafio.
O grande êxito da temporada se deu em Barcelona na final da UEFA Champions League, temporada 1998/9. Numa decisão absolutamente incrível, os ingleses bateram o Bayern por 2 a 1 de virada, com gols de Sheringham e Solskjaer anotados nos minutos finais. Só para recordar, os bávaros contavam com figuras expressivas como o goleiro Kahn, Lizarazu e Effenberg, além do craque Matthäus que se despedia naquele ano. Seu técnico era o vitorioso Ottmar Hitzfeld, campeão dois anos antes com o Borussia Dortmund.
O fim de uma era:
Antes do início do certame seguinte, Schmeichel deixou o clube. Alegando estar a procura de novas experiências, seguiu para o Sporting. E, aos poucos, aquela formação foi se desfazendo e se alterando.
Parte da conta desse desmanche pode ser debitada do saldo de Ferguson. O escocês, dono de forte personalidade, bateu de frente com vários astros. Mas como seu saldo já era amplamente positivo, aos ídolos foi apontada a porta de saída. Stam, Beckham, Keane. Todos deixaram o chamado ‘Teatro dos Sonhos’ de uma maneira pouco honrosa. Todos se tiveram problemas com o seu líder. E todos perderam.
Além disso, o veterano Irwin se aposentou e logo Cole e Yorke também procuraram outros ares. Como era de se esperar, novos nomes surgiram e escreveram ou ainda escrevem sua história em Old Trafford. Alguns se saíram muito bem: Ferdinand, Nistelrooy, Rooney e Cristiano Ronaldo. Outros se mostraram apostas pouco frutíferas como o espalhafatoso Barthez, o inexplicável Veron, o opaco Kléberson e o inócuo Saha.
A reformulação completa e aceitável para os padrões de um gigante europeu demorou um pouco para acontecer. No gol, muitos foram testados e reprovados. A lista é considerável: além do já citado Barthez, Bosnich, Van Der Gouw, Taibi e Howard assumiram o posto com pouco ou nenhum sucesso. Somente em 2005, quando foi contratado o holandês van der Sar, a tranqüilidade voltou à meta vermelha.
Hoje, nove anos depois, o Manchester United parece ter reencontrado o rumo das grandes vitórias. Campeão da liga passada e líder do atual campeonato, resta aos ‘Diabos Vermelhos’ voltar a trilhar com êxito o caminho europeu para, quem sabe, repetir aquela inesquecível proeza.
A seguir, um vídeo gravado durante aquela temporada, onde a própria letra da música “Lift It High” indicava a força mental do grupo.
Difícil não se emocionar com o gol e com a comemoração de Frank Lampard ao marcar, de pênalti, o segundo gol na vitória por 3 a 2 do Chelsea sobre o Liverpool. A maneira como ele ergueu os braços e apontou para o chuvoso céu de Londres deixou clara a sua emoção naquele momento, dedicando o tento à sua mãe, Pat, que faleceu aos 58 anos vítima de pneumonia.
O Chelsea mereceu avançar à final desta UEFA Champions League. Jogou como time e não como um amontoado de estrelas, teve as melhores chances da partida e nunca se intimidou diante da “camisa” do rival. Agora, é bem provável que algum gênio dirá que o trabalho de Avram Grant é superior ao de José Mourinho só por que este último nunca superou o Liverpool na UCL. No entanto, vale lembrar que o israelense tem por trás de si a sombra daquele que para muitos foi o responsável técnico pelo grande Barcelona de duas temporadas atrás: Henk ten Cate.
Quanto ao Liverpool, não julgo prudente a provável demissão de Rafa Benítez ao final desse certame. O espanhol está em sintonia com o grupo e com a torcida. Sua saída poderá ser um retrocesso na clara evolução do time nos últimos anos.
Sobre a final Chelsea X Manchester United, penso que os ‘Blues’ são os piores adversários que os ‘Red Devils’ poderiam ter. Primeiro, porque estão longe de ser o freguês que o Liverpool seria. O retrospecto desse Chelsea é favorável diante do futuro rival. Segundo, porque o elenco azul está sedento por esse título. E terceiro, mas não menos importante, é que Moscou é praticamente a casa de Roman Abramovich.
FICHA TÉCNICA CHELSEA-ING 3 X 2 LIVERPOOL-ING
Local: Estádio Stamford Bridge, em Londres (ING) Data: 30 de abril de 2008, quarta-feira Horário: 15h45 (horário de Brasília) Árbitro: Roberto Rosetti (ITA) Auxiliares: Alessandro Griselli (ITA) e Paolo Calcagno (ITA) Cartões amarelos: Xabi Alonso e Arbeloa (LIV) Gols: CHELSEA: Drogba, aos 32’ do 1º tempo e aos 14’ do 1º tempo da prorrogação, e Lampard, aos 5’ do 1º tempo da prorrogação; LIVERPOOL: Fernando Torres, aos 19’ do 2º tempo, e Babel, aos 13’ do 2º tempo da prorrogação
CHELSEA: Cech, Essien, Ricardo Carvalho, John Terry e Ashley Cole; Makelele, Lampard (Shevchenko) e Ballack; Joe Cole (Anelka), Kalou (Malouda) e Drogba Técnico: Avram Grant
LIVERPOOL: Reina; Arbeloa, Carragher, Skrtel (Hyypia) e Riise; Mascherano, Xabi Alonso, Gerrard e Benayoun (Pennant); Kuyt e Fernando Torres (Babel) Técnico: Rafa Benítez
Veja ou reveja a emoção de Lampard de seu pai que também se encontrava em Stamford Bridge:
Final britânica confirmada. Com a vitória pelo placar de 1 a 0 conquistada há poucas horas, o Manchester United é o primeiro finalista confirmado nesta edição da UEFA Champions League. Seu adversário saíra no duelo de amanhã entre Chelsea e Liverpool. Mais do que uma disputa de gigantes, essa decisão vem para ratificar o grande momento que o futebol inglês vive na Europa.
O avanço dos Diabos Vermelhos para a finalíssima apenas confirma o momento especial vivido pela equipe comandada por Sir Alex Ferguson. Confirma ainda, que a chegada do Barcelona a esta fase da competição se deu muito mais pelo caminho tranqüilo que se desenhou à frente dele do que pelo futebol que os catalães vinham apresentando nesta temporada. Uma equipe que não é capaz de marcar um único gol em 180 minutos realmente não merecia chegar ao topo. Um melancólico final para um time que esqueceu seu jogo dos sonhos em algum lugar do passado.
FICHA TÉCNICA: MANCHESTER-ING 1 X 0 BARCELONA-ESP
Local: Estádio Old Trafford, Manchester (Inglaterra) Data: 29 de abril de 2008, terça-feira Horário: 15h45 (horário de Brasília) Árbitro: Herbert Fandel (Alemanha)
Cartões amarelos: Zambrotta, Deco, Yaya Touré (Barcelona); Carrick, Cristiano Ronaldo (Manchester) Gol: MANCHESTER: Paul Scholes, aos 14’ do 1º tempo.
MANCHESTER: Van der Sar; Hargreaves, Ferdinand, Brown e Evra (Silvestre); Carrick, Scholes(Giggs), Park e Nani (Fletcher); Cristiano Ronaldo e Tevez Técnico: Alex Ferguson
BARCELONA: Valdés; Zambrotta, Puyol, Milito e Abidal; Yaya Touré(Gudjohnsen), Xavi e Deco; Iniesta (Henry), Messi e Eto'o(Bojan). Técnico: Frank Rijkaard
O gol da vitória saiu após duas falhas seguidas de Zambrotta:
Responda. Quem é o jogador retratado abaixo e que clube ele defende hoje?
Anterior:
Hoje o marketing esportivo tornou-se uma importante vertente do produto futebol. No entanto, há alguns anos, não era bem assim que funcionava. Inclusive, algumas histórias interessantes foram produzidas devido a essa falta de organização, no que tange esse tema.
Assinale a história que não é verdadeira:
Alternativa incorreta: d) Pelé alegou que o motivo de não ter ido ao Mundial de 74 foi justamente o fato de não poder utilizar o seu material esportivo. Apenas o material fornecido pela antiga CBD era aceito.
Resposta correta: Até onde se sabe, o motivo do Rei não ter ido ao Mundial de 74 foi ideológico. Protestava contra a ditadura. No entanto, são freqüentes os comentários que o atleta do século pleiteou na época uma premiação individual que não foi atendida.
Parabéns aos acertadores da semana: Rodolfo Moura (de Brasília!), Repolho, Bruno e Leonardo.
Foi um final de semana agitado. Em várias partes do mundo a bola rolou com ares decisivos. Como não é possível abordar tudo como eu gostaria, resolvi comentar brevemente sobre o que aconteceu de mais importante no mundo do futebol.
No Rio de Janeiro, o rubro-negro Joel Santana, futuro treinador da seleção da África do Sul, e Cuca, técnico do Botafogo, provaram uma coisa que eu sempre digo: Técnico ganha e perde jogo. Enquanto o Flamengo de Joel se mandava para o ataque com três atacantes, o alvinegro optou pela medida inversa, recuando sua equipe introduzindo mais e mais defensores. O 1 a 0 final para o Flamengo foi o resultado mais justo, no entanto, a pesada viagem para o México neste meio de semana pode ser o trunfo que a equipe de General Severiano precisa para reequilibrar a disputa.
Na Itália, a Inter segue firme em busca do tricampeonato, embora tenha repetido a atuação burocrática do último domingo.
Com a goleada de 5 a 2 sobre a Lazio, a Juventus garantiu matematicamente sua participação na próxima UEFA Champions League. Foram dois anos de ausência.
Enquanto isso, a briga pela última vaga continua quente. Fiorentina, Milan e Sampdoria brigam rodada a rodada por um espaço na maior competição interclubes da Europa.
Na Inglaterra, o que parecia estar definido voltou a se complicar com a vitória do Chelsea por 2 a 1 sobre mistão do United, o que deixou a disputa pelo título novamente aberta. A formação inicial dos Red Devils com vários titulares poupados foi uma cartada de alto risco de Sir Alex Ferguson que visa uma melhor preparação para a partida de volta contra o Barcelona pela UCL. Se a aposta valeu, só saberemos mais tarde.
Espanha. Ainda não foi desta vez que o Real Madrid comemorou seu 31º título nacional. Mesmo vencendo o Athletic Bilbao por inapeláveis 3 a 0, os ‘Merengues’ terão que aguardar mais uma rodada. Isso porque o Villarreal bateu o Bétis fora de casa pela contagem mínima. O gol da vitória foi esta pintura do brasileiro naturalizado espanhol Marcos Senna: