Apenas uma opinião.
Curtia tranqüilamente minhas férias quando um assunto parece ter inundado as discussões de futebol aqui no Brasil.
E, como não resisto a esse tema, resolvi postar exclusivamente hoje.
Depois da vitória do Internacional sobre a Internazionale pelo Torneio de Dubai, uma velha discussão voltou à tona. Os grandes clubes brasileiros e sul-americanos são tão fortes quanto os europeus?
Na verdade, existem duas correntes diametralmente opostas sobre essa questão:
Uma delas valoriza ao extremo o futebol praticado no Brasil. Pensa que o Campeonato Brasileiro é o melhor do mundo, acha que os “beques italianos jogam de caça jeans” e que o único talento que existe na Europa é o que foi importado da América do Sul.
A outra corrente caminha de forma absolutamente oposta. São pessoas que acham que o futebol praticado por aqui é de terceira categoria, onde jogam apenas os garotos que acabaram de ser promovidos, os velhos em fim de carreira e o resto que não tem mercado no exterior. Pensam ainda que o Tottenham seria cinco vezes seguidas campeão brasileiro, caso disputasse o campeonato tupiniquim.
Na verdade, a minha opinião difere de ambas.
Primeiro, porque as duas são discussões apenas teóricas, sendo que ambas são quase que exclusivamente especulativas.
Segundo, acho interessante analisarmos alguns fatos:
Existem poucos parâmetros para comparação, afinal, são poucas as partidas e torneios envolvendo os bons times daqui contra os bons times de lá.
As poucas que ocorreram nos últimos anos apontam para certo equilíbrio, explicável para a segunda corrente como resultado de diferença motivacional e especificidades possíveis de acontecer num só confronto.
A questão é que, embora disputadas em situações especiais, essas partidas são o único parâmetro de comparação que temos. E é o único parâmetro que não está no campo teórico. Sendo obrigatório admitir que nesses jogos existe sim, um certo equilíbrio.
Entrando novamente no campo teórico, especulamos que o clube que investe dez, quinze vezes mais do que o outro e que conta com jogadores de maior renome é necessariamente mais forte que outro que conta com investimentos mais modestos. E que essa diferença econômica cria imediatamente um abismo técnico, tático e físico entre as duas agremiações.
Só que, na prática, notamos que o único abismo que existe é o financeiro.
Rápidas observações:
Não é exatamente uma verdade que o futebol daqui do Brasil conta com apenas os jovens, os velhos e os fracos. Também existem bons jogadores que, por um motivo, ou outro não possuem mercado lá fora. Alguns, não se adaptam ao estilo de jogo praticado no Velho Mundo e outros não se adaptam ao estilo de vida europeu ou sentem saudades de sua terra, de sua família ou de nossa culinária.
Bons jogadores brasileiros de nossa história como Didi, Roberto Dinamite, Andrade e Renato Gaúcho não se adaptaram ao futebol do exterior e/ou ao modo de vida europeu e nem por isso deixaram de ser bons.
O próprio Raí, ídolo do São Paulo e do PSG, precisou de um bom tempo para se acomodar no futebol francês. Depois que se acostumou, tornou-se o melhor jogador do time parisiense. Ronaldinho Gaúcho e Diego também precisaram de tempo para se firmar, ao tempo que Kaká chegou, treinou e virou titular do Milan.
Cada caso deve ser analisado de maneira individual.
Por essa quase absoluta falta de parâmetro, a qualidade dos jogadores que atuam por aqui só pode ser medida quando eles vão para a Europa. Um bom exemplo é o Santos, campeão brasileiro de 2002. Um time que conta com Alex, Léo, Renato, Elano, Diego e Robinho não pode nunca ser considerado um time fraco.
Da mesma forma que Eboué, Ambrosini, Gilardino e Diarra não são atletas de primeiro nível apenas porque jogam em gigantes do Velho Continente.
Em tempo: O torneio de Dubai, que fique claro, não vale nada além da bolsa de U$ 1 milhão. Para o Internacional esse dinheiro pode ajudar bastante. E se para a Internazionale essa bolsa não vale muita coisa, que ficasse em casa e marcasse amistosos contra o Arezzo ou o Crotone. O nome da instituição agradece.

APPIANO GENTILE: Um ótimo centro de treinamento. E melhor do que ir para Dubai a passeio.
Escrito por Michel Costa às 12h25
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