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Como sempre, é hora de apontar os culpados.
Chegou ao fim o sonho dourado do futebol masculino brasileiro nos Jogos Olímpicos. Agora, assim como em todas as grandes derrotas é hora de imprensa e torcida apontarem os seus culpados por mais esse fracasso.
Do lado da imprensa, a revolta pode vir de inúmeras formas: Na torcida contra de Caio Maia (Trivela), no mau-humor de Mauro Cezar Pereira (ESPN) ou nos tiros para todos os lados como João Ricardo (Gazeta Esportiva).
Pelo lado torcedor, chega a ser meio maluco ouvir pessoas que não assistiram à partida (ou nem a campanha) dizerem que essa geração não tem talento e que está tudo errado. Nada mais torcedor...
Todos esses críticos não deixam de ter sua razão em alguns pontos, mas em outros a revolta manifestada revela apenas aquela velha conversa que ressurge a cada derrota mais dolorida: a procura de um culpado.
Que não se entenda aqui uma defesa de Dunga. Não é isso. Sempre fui contra a utilização ex-jogadores ainda jovens e inexperientes no comando técnico de seleções principais. E isso vale para Dunga, para Donadoni ou para Van Basten. O cargo de treinador de uma seleção deve ser ocupado por alguém que tenha muita experiência e, sobretudo, competência para a ocupação do posto.
No caso específico do Brasil, nem acho que Dunga errou tanto assim. Sua lista de convocados era quase unanimidade. Seu esquema, embora cauteloso, tinha sim um desenho tático e algumas outras ações interessantes. Parte do problema está na hora da identificação dos erros durante e depois das partidas, tanto nos Jogos quanto nas Eliminatórias. Para se tomar a providência certa é preciso mais do que ter sido capitão e líder de um selecionado por vários anos. Outro problema dessa equipe sub-23 é tocar a bola sem objetividade.
Só que ainda vejo pontos positivos como os três volantes que sabem jogar e o lateral Marcelo que, apesar de muito jovem, promete muito. Aliás, uma questão envolve justamente o lateral do Real Madrid. Fazendo dupla com Ronaldinho na esquerda, ele freqüentemente era lançado na ponta e nunca havia alguém para completar a jogada na área. Outra questão era ver que o camisa 10 recuava para armar o jogo deixando sempre o centroavante perdido entre os zagueiros. E como Rafael Sóbis não é bem um centroavante, o esquema virava praticamente um 4-6-0.
É muito provável que a demissão da atual comissão técnica brasileira aconteça logo. Se não for depois da disputa pelo bronze, deve acontecer dentro de pouco tempo. Pode até ser um pouco tarde para Ricardo Teixeira reparar o seu erro. Mas ainda há tempo.
EFE
Dunga: Crônica de uma morte anunciada.
Escrito por Michel Costa às 23h08
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Question
Antes do Mundial de 2006, numa típica pergunta de quem tem pouco a dizer, um repórter brasileiro indagou o diretor-técnico da seleção alemã, Oliver Bierhoff, sobre qual jogador brasileiro ele escolheria, se pudesse, para defender a Alemanha na Copa. Na oportunidade, o ex-atacante optou por:
a) Ronaldinho Gaúcho b) Kaká c) Zé Roberto d) Lúcio
Anterior:
Quem é o jogador do River Plate retratado abaixo e que taça ele ergue?

O jogador acima é Enzo Francescoli, grande atacante uruguaio e uma das últimas referências vencedoras do futebol de seu país. Revelado pelo Montevidéu Wanderers, consagrou-se no River Plate onde foi pentacampeão argentino em suas duas passagens pelo clube. Na foto acima, El Príncipe, como era chamado, ergue a Taça Libertadores da América de 1996. Na final do Mundial Interclubes disputada no mesmo ano, enfrentou e foi derrotado pelo seu fã mais conhecido: o meia francês Zinedine Zidane. Idolatria essa, nascida dos tempos em que defendeu o Olympique de Marselha, clube do coração de Zizou. Pelo selecionado celeste, conquistou três vezes a Copa América (83, 87 e 95). Hoje, seu nome figura entre as grandes lendas do futebol mundial.
Parabéns aos acertadores da semana: Cyntia, Luciano e Leonardo.
Adidas.com

Enzo Francescoli foi a inspiração do maestro Zidane.
Escrito por Michel Costa às 21h30
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O profissionalismo chutado para escanteio.
Quando insistiu em ser negociado pelo Santos em 2005, Robinho se recusou a treinar sob a alegação de que o presidente do clube, Marcelo Teixeira, havia prometido negociá-lo caso houvesse uma boa proposta vinda do exterior. Na ocasião, o Real Madrid acenava com uma oferta de 25 milhões de euros, mas que era considerada baixa para as pretensões santistas.
Sem se importar se havia ou não um contrato assinado por ele, o atacante desapareceu da Vila. Depois de uma longa negociação, a novela acabou com um final “feliz” e os merengues foram apresentados ao seu novo camisa 10.
Três anos depois a história se repete. Se dizendo magoado por ter sido envolvido na proposta feita ao Manchester United por Cristiano Ronaldo e se sentindo desprestigiado no clube, Robinho diz que quer rumar para o Chelsea que teria lhe oferecido um contrato melhor. Para ficar, cobra que seu clube atual dobre os seus vencimentos. E reforçando o pedido, seu empresário Wágner Ribeiro veio a público dizer que o novo comandante da equipe londrina, o também brasileiro Luiz Felipe Scolari, liga todos os dias para o jogador dizendo que deseja contar como ele nos “Blues”. Só que o agente não contava com o pronto desmentido de Scolari que alegou que nunca pediu diretamente a Robinho que se transferisse para Londres.
Agora, com uma carta a menos na manga, a descontente dupla ressurge com a velha ameaça de não entrar em campo. Mas, como o Real Madrid não é o Santos, chamou o jovem e informou-o através do treinador Bernd Schuster e do diretor Predrag Mijatović que ele faz parte dos planos do clube e que estava relacionado para a partida contra o Valencia pela Supercopa da Espanha. O recado foi dado e Robinho prometeu não só jogar, mas marcar dois gols. Todavia, em campo, o “Rei das Pedaladas” não pareceu nem um pouco estar a fim de jogo e depois de um primeiro tempo melancólico foi substituído por Robben.
Seria corpo mole?
AFP
Antes de se tornar um craque, Robinho deveria aprender a ser profissional.
Escrito por Michel Costa às 22h29
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Um camaleão chamado Scolari
Uma das maiores qualidades de Luiz Felipe Scolari como treinador é se adaptar ao estilo e às necessidades técnicas e táticas das equipes que comanda. Conheci o seu trabalho no Grêmio e logo notei que ali havia um treinador diferenciado. Ele era muito mais do que um treinador que mandava dar pancada e que jogava bolas no campo para atrasar uma partida. Era um comandante que sacrificava seu grupo e a si mesmo na busca pelo resultado.
No Grêmio, destacava Jardel como referência de seu ataque e com suas testadas certeiras garantiu o segundo título continental dos tricolores. Nesta fase, era mais Felipão do que nunca e não se intimidava em ordenar que seus marcadores apelassem para a violência quando tinham pela frente um adversário mais habilidoso.
Em 1999, no Palmeiras, para desespero dos que queriam a volta da Academia, “clonou” sua antiga equipe e municiou o centroavante Oséas com os cruzamentos precisos de Arce. Vale lembrar que aquela equipe, que também conquistou a Libertadores, tinha muito talento nos pés de Alex, Zinho e Júnior.
Quando chegou à Seleção Brasileira vindo do Cruzeiro, todos pensavam que haveria outra “clonagem” do mesmo estilo de jogo e que o centroavante da vez seria o voluntarioso Luizão. Foi então que o técnico gaúcho mostrou que era capaz de fazer diferente. Reunindo atletas de sua confiança, ignorou o apelo nacional pelo veterano Romário e acreditou que Ronaldo poderia ser o homem-chave na Copa. Além disso, contra todos os especialistas, apostou no esquema 3-4-2-1, pois acreditava que os laterais Cafu e Roberto Carlos não poderiam apoiar ao mesmo tempo sem a devida proteção. No sistema ofensivo, bancou Ronaldinho Gaúcho e deu confiança a Rivaldo, deixando-o livre para ser a pedra angular da equipe. Uma ousadia premiada com o título mundial.
No seu trabalho seguinte como selecionador de Portugal, valorizou o estilo lusitano de jogar ao manter a equipe que tradicionalmente joga com dois pontas. Em certa oportunidade, disse que o segredo de seu sucesso à frente da “Seleção da Quinas” era valorizar o que o país tinha de bom, aproveitando não apenas o modo de jogar como diversos portugueses em sua comissão técnica. Alguns chegaram a dizer que aquilo era uma indireta para Vanderlei Luxemburgo que, ao aportar no Real Madrid, tentou enfiar seu estilo goela abaixo dos espanhóis, algo que não agradou muito tanto a diretoria, quanto torcedores e imprensa.
Agora, no Chelsea, o camaleão Scolari tentará fazer algo ainda mais difícil. Já que além de conquistar a Liga dos Campeões, o mandatário Roman Abramovich quer que o seu time dê espetáculo. Se isso é possível eu não sei, mas escalar num mesmo meio-campo Lampard, Ballack e Deco é a prova de seu desejo de ter em mãos uma equipe que ambiciona manter a posse de bola e dominar o adversário. Na partida de hoje contra o Portsmouth, Felipão mostrou ao mundo outra face. Anulou seu adversário e viu sua equipe trocar passes de uma maneira incomum tanto para os “Blues” quanto para os times que comandou no passado. Algo bem perto do que sonha o bilionário russo.
Alguém duvida de que ele seja capaz de realizar mais essa transformação?
AFP
A única coisa que não muda é o jeito à beira do campo...
Escrito por Michel Costa às 21h24
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Uma Geração de Ouro
Resolvi publicar este post antes da partida de amanhã contra Camarões pelo seguinte motivo: Independente da classificação final da Seleção Brasileira Olímpica, podemos constatar que essa nova geração de jogadores é das mais promissoras. Claro, que o resultado final também tem sua importância, já que a medalha de ouro é o único título que o futebol brasileiro não tem e que, para Dunga, um insucesso nos Jogos pode custar seu emprego. Mas o maior valor reside no bom aproveitamento do grupo que está na China e que tem tudo para, gradativamente, assumir a titularidade da seleção principal pelo menos em algumas posições mais carentes.
Dentre os convocados, chama atenção a qualidade técnica dos atletas. Praticamente todos possuem boa técnica e ótima margem de crescimento. Até mesmo os zagueiros sabem jogar com a bola. Talvez a única carência seja na posição de primeiro volante, função que o excelente Lucas, que tem características de segundo volante, se esforça para cumprir e que até agora vem dando conta do recado. Inclusive, no meio-campo verde-amarelo que se apresenta como diamante (tanto no desenho tático quanto no brilho individual) que se encontram as maiores esperanças, quando se completa em seus vértices laterais com Hernanes e Anderson e com Diego na ponta ofensiva. Na reserva do setor, ainda há o polivalente Ramires e o talentoso Thiago Neves.
Na meta, o titular Renan acaba de ser negociado com o Valencia e tem tudo para se firmar na Espanha. Só que, para muitos, o melhor goleiro disponível é o seu suplente, o ex-atleticano Diego Alves, que depois de uma temporada espetacular pelo Almería, pode em breve se consolidar como um dos grandes na Europa.
Na defesa, os nomes também são bons. Os laterais Rafinha, Ilsinho e Marcelo possuem ótima velocidade somada a uma boa dose de habilidade. No centro da defesa, o completo Thiago Silva tem a companhia de Alex Silva, soberano em jogadas aéreas e ainda a opção do prodígio Breno.
No ataque, Jô e Rafael Sóbis, sobretudo o primeiro, têm evoluído a olhos vistos e podem ser escolhas interessantes no futuro. Mas é no jovem Alexandre Pato que residem as grandes expectativas e a maior cobrança. Provável titular do Milan, o paranaense já sente o peso de ser cobrado como um veterano. Pressão que só jogadores acima da média são capazes de suportar.
E dentre os que foram apenas cotados, mas ficaram de fora, estão o zagueiro Henrique e o meia Renato Augusto, ambos do Bayer Leverkusen, o volante Charles e o atacante Guilherme do Cruzeiro, além do meia palmeirense Diego Souza.
Isso sem contar aqueles que são da classe de 84 como o goleiro Bruno do Flamengo, o zagueiro Miranda do São Paulo e aquele que talvez seja o maior expoente, o atacante Robinho.
Infelizmente, como por aqui apenas os resultados importam, é bem provável que um insucesso no torneio olímpico queime ou atrase a participação desses garotos no selecionado principal. E essa seria uma segunda derrota.
Fifa.com
Muito cobrado, Pato pode estar no banco amanhã.
Escrito por Michel Costa às 22h27
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